Parque infantil e campo de basket protegem Roterdão das inundações

Cerca de 80% da cidade de Roterdão, na Holanda, encontra-se abaixo do nível do mar – até 6,7 metros, em alguns locais. Apesar de ter um dos mais movimentados portos do mundo, a cidade encontra-se particularmente vulnerável às alterações climáticas, tempestades e aumento do nível médio do mar.

Ainda assim, a cidade encontra-se protegida por uma série de diques, barreiras e barragens, muitas delas construídas após as inundações de 1953, que mataram mais de 1.800 pessoas.

Segundo o Guardian, as previsões holandesas avisam que o mar deverá subir um metro até ao final do século, por isso a cidade está a construir novos – e maiores – diques para proteger as suas casas, centrais de energia e infra-estruturas ferroviárias, entre outras.

No entanto, estes projectos são caros e, com a economia numa fase particularmente má, tornam-se mais difíceis de financiar. Uma das alternativas encontradas pela cidade é tornar estes diques em locais multifuncionais – eles não servem apenas de barreiras para a água não entrar na cidade, mas também de plataformas comerciais para construção de estradas, paisagens e até edifícios.

Em vez de lutar contra as marés, a cidade está também a tirar vantagem delas. Parte do trabalho de Roterdão foca-se no armazenamento da água das tempestades e na sua libertação para uma rede de drenagens. Vários parques de estacionamento têm grandes tanques de armazenagem que, intencionalmente, inundam-se em dias de chuva, libertando o excesso de água apenas quando o sistema de drenagens pode aguentar este excesso.

Por outro lado, há praças de água que funcionam como recreios de crianças e campos de basquetebol durante a época seca – mas armazenam temporariamente grandes quantidades de água durante a época das chuvas.

Mas há mais: vários bairros de Roterdão foram sinalizados como locais ocasionais de cheias. Muitas destas casas têm infra-estruturas resilientes às inundações – como sistemas eléctricos colocados propositadamente em locais mais elevados. Isto permite que as caves destas casas possam inundar-se periodicamente sem que o sistema eléctrico seja colocado em causa – e o dia-a-dia decorre com alguma normalidade.

Segundo a Institution of Civil Engineers, os planos de adaptação da cidade às inundações estão a funcionar em harmonia com a sua composição geográfica e económica. No entanto, a cidade quer ir mais longe e tornar-se à prova de alterações climáticas até 2025.

Entretanto, bem mais perto de nós, Lisboa continua em estado de alerta a cada chuva mais intensa. Será que isto faz sentido?

Foto: Kevin / Creative Commons

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