Parques eólicos offshore melhoram funcionamento das águas costeiras e a diversidade da vida aquática
Um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Murdoch, na Austrália, e da Universidade Oceânica de Dalian, na China, concluiu que os parques eólicos offshore podem melhorar os ecossistemas marinhos e diversificar as cadeias alimentares aquáticas.
Os resultados mostram que várias espécies de peixes eram mais abundantes e apresentavam mais do dobro da biomassa na área do parque eólico.
Segundo os autores, estes dados indicam que os ecossistemas aquáticos podem beneficiar da instalação de parques eólicos no mar, propondo uma abordagem integrada que combine a promoção da biodiversidade marinha, a produção de energia e a transição para fontes renováveis.
James Tweedley, do Harry Butler Institute da Universidade de Murdoch, explica que o impacto positivo nos peixes e noutras formas de vida aquática se deve, em grande medida, às superfícies rugosas dos monopilares das turbinas, que funcionam como substrato para o desenvolvimento de organismos sésseis (organismos imóveis, como cracas e ostras).
“Estes organismos tornam-se fontes de alimento e habitat fundamentais para outras espécies, o que tem efeitos em cadeia na diversidade e na saúde global do ecossistema”, afirma.
O estudo comparou dados recolhidos no Parque Eólico Offshore de Zhuanghe, no norte do Mar Amarelo, na China, com uma área de controlo sem turbinas situada cerca de seis quilómetros a leste, ao longo de 2023 e 2024.
Durante esse período, a zona do parque eólico apresentou maior fluxo detrítico, maior maturidade ecológica e, no geral, uma estabilidade do ecossistema superior.
Apesar das diferenças geográficas, os oceanos da China e da Austrália estão ligados por correntes e padrões climáticos comuns, criando condições ambientais e desafios climáticos semelhantes.
O professor associado Zhongxin Wu, da Universidade Oceânica de Dalian, explica que, para além dos peixes demersais, a área do parque eólico offshore deu origem a um ecossistema dominado pelo bentos — ou seja, sustentado sobretudo por organismos que vivem no fundo do mar ou nas suas imediações.
“Este tipo de ecossistema atrai formas de vida aquática únicas e até raras. Os nossos resultados mostram que, na área do parque eólico offshore, a biomassa de peixes bentónicos foi quase o dobro da registada na área de controlo”, afirma.
O professor emérito Neil Loneragan, da Universidade de Murdoch, um dos principais especialistas em peixes e ecossistemas marinhos da Austrália Ocidental, salientou que estas conclusões constituem uma base importante para compreender de que forma os parques eólicos offshore interagem com os ecossistemas costeiros e influenciam a dinâmica energética e os recursos pesqueiros.
“Estes ecossistemas dominados pelo bentos são fundamentais para a ciclagem de nutrientes, para a diversificação das cadeias alimentares e até para o armazenamento de carbono”, afirma.
“Os resultados deste estudo são muito encorajadores — mostram que as turbinas eólicas criam um ambiente marinho localizado distinto, com muitos atributos positivos”.
