Patente portuguesa que torna painéis fotovoltaicos mais eficazes vendida por €5 milhões

Um projecto da Faculdade de Engenharia do Porto (FEUP) e da Efacec que permite produzir painéis fotovoltaicos mais eficientes foi vendido por €5 milhões à empresa australiana Dyesol, que pretende massificar a tecnologia a partir de 2018.

De acordo com o Jornal de Notícias, a tecnologia de soldadura de vidro através de raio laser permite a utilização de células solares de perovskita – um material sintético composto por carbono, hidrogénio, azoto e estanho – ensanduichada entre dois vidros. Assim, ela torna-se mais eficiente que o silício usado nos painéis fotovoltaicos actuais.

Apesar de ambos os materiais aproveitarem cerca de 20% da energia solar recebida – números de laboratório, uma vez que, em situação real, a percentagem desce para os 12% -, os painéis com perovskita custam metade dos de silício e podem ser colocados na vertical, nas janelas e fachadas de edifícios e não nas coberturas.

Segundo explicou ao Jornal de Notícias os investigador Adélio Mendes, catedrático de Engenharia Química da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, isto é possível porque a perovskita absorve a radiação em várias inclinações e não apenas na perpendicular à superfície, permitindo aproveitar a energia pelo menos 1,6 vezes mais.

Esta tecnologia poderá ainda aumentar a vida útil dos painéis fotovoltaicos para 20 anos. O projecto, que foi também trabalho pelos investigadores Joaquim Mendes e Luísa Andrade, também da FEUP, custou €20.000 à universidade. A patente foi vendida por €5 milhões à australiana Dyesol.

Foto: U.S. Army Environmental C / Creative Commons

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