Para algumas pessoas, a morte de um animal de estimação pode causar um sofrimento emocional mais intenso do que a perda de um familiar próximo. A conclusão é de um estudo conduzido por um investigador irlandês, com base num inquérito a quase mil pessoas no Reino Unido.
O estudo envolveu 975 participantes, dos quais cerca de um terço tinha passado pela morte de um animal de estimação e quase todos tinham vivido a perda de uma pessoa. Entre os inquiridos que perderam um animal, aproximadamente um em cada cinco afirmou que essa experiência foi mais angustiante do que a morte de um familiar.
O investigador apurou ainda que cerca de uma em cada 13 pessoas que perderam um animal de estimação desenvolveu perturbação de luto prolongado (PLP), uma condição clínica caracterizada por um sofrimento intenso e persistente. Esta proporção é semelhante à observada entre pessoas que perderam um ente querido humano. Com base nos dados, o autor estima que cerca de um em cada 12 casos de PLP na população em geral poderá estar associado à perda de um animal de estimação.
Apesar disso, a perturbação de luto prolongado raramente é diagnosticada quando o motivo da perda é um animal, e não uma pessoa. Segundo o investigador, esta exclusão pode ser encarada como “não só cientificamente injustificada, mas também insensível”.
O estudo defende que a morte de animais de estimação não deve continuar a ser excluída dos critérios de diagnóstico da perturbação de luto prolongado, sublinhando a importância emocional que estes animais têm na vida de muitas pessoas e a necessidade de reconhecimento clínico do impacto da sua perda.









