Petição pede o fim do plástico descartável na Universidade do Minho

Ao entrar num dos bares da Universidade do Minho, Paula Jorge, investigadora no Centro de Engenharia Biológica desta instituição, ficou espantada com o que viu: havia novo artigo de plástico descartável – os copos de plástico – a ser usado em fartura. Sensível à questão ambiental, decidiu que tinha de fazer alguma coisa, com uma petição online a fazer todo o sentido. Mais de 1375 pessoas já se juntaram a Paula nesta luta contra os plásticos descartáveis.

– Como surgiu a ideia para esta petição contra o uso de plástico nos bares e estabelecimentos da Universidade do Minho? 

A ideia surgiu numa visita a um dos bares da Universidade, quando me apercebi que tinha sido introduzido um novo artigo descartável, os copos de plástico, que se veio juntar a outros itens já existentes. Para quem, como eu, está sensível a esta problemática, aquela alteração pareceu-me despropositada pois vai contra o movimento actual de luta contra a utilização destes produtos. Dado que uma voz isolada por vezes não chega onde pretende, tive a ideia de lançar esta petição, aberta não só à academia, mas também à comunidade em gera. Porque as consequências desta problemática afectam-nos a todos.

– Qual o objectivo da petição? Qual o número de assinaturas que esperam alcançar? 

Na realidade, a petição tem dois objectivos. O primeiro é alertar as pessoas para o problema que é a utilização dos plásticos descartáveis, suscitando a discussão e a resolução a título individual. O segundo e principal objectivo é incentivar uma resposta positiva e em tempo útil por parte da Universidade do Minho para a resolução deste problema. Relativamente ao número de assinaturas, confesso que nunca houve um número de assinaturas ideal em mente, até porque não fazia ideia da adesão que iria haver. Faz hoje precisamente duas semanas desde o lançamento da petição, e de momento estamos acima das 1.300 assinaturas. Tendo em conta a resposta positiva que a petição teve seria excelente alcançar as 2.000 assinaturas até ao final do mês de Março!

– Porquê dizer não aos plásticos descartáveis? 

Porque tem um enorme impacto negativo no ambiente. Estamos a falar de artigos cuja vida útil são, por vezes, escassos minutos e que na sua maioria são consumidos puramente por questão de conveniência. Desde a sua produção ao seu descarte, os plásticos descartáveis acarretam malefícios para o ambiente. A produção assenta sobre o uso de combustíveis fósseis, que representam uma forma não renovável de energia, acarretando problemas graves, como a poluição. Na hora do descarte, muitos são erradamente incluídos no lixo comum ou simplesmente descartados no ambiente, não se decompondo por muitas dezenas ou centenas de anos, afectando negativamente, por exemplo, a vida marinha. Os que são devidamente separados pressupõem na mesma um dispêndio de energia e dinheiro na reciclagem que poderia ser evitado e que sai do bolso de todos nós.

– Estamos tão habituados ao plástico que, por vezes, nem nos lembramos que existem alternativas. Que outras opções poderiam substituir o plástico nos bares da UM? 

A resolução do problema dos plásticos descartáveis a nível da UM é bastante simples, dado que a lista de produtos nesta categoria nem é assim tão grande. Estamos a falar principalmente de copos, talheres, taças e palhinhas de plástico, que podem ser muito facilmente substituídos por alternativas não descartáveis correspondentes (ex.: copos de vidro), ou mesmo deixarem de ser disponibilizados (ex.: palhinhas). Face ao pedido cada vez maior de refeições ou bebidas “to go”, poderá também ser necessário a substituição dos artigos por outros de carácter mais amigo do ambiente (ex.: biodegradável), ou da implementação de venda de recipientes não descartáveis para fora com possibilidade de reutilização posterior. Cabe a cada um de nós, como consumidores finais, fazer escolhas mais conscientes e, quando necessário, recusar o plástico nos estabelecimentos. Se não houver consumidor, o produto desaparecerá e outras e melhores opções virão!

Foto: via Creative Commons