Plástico: Coca-Cola no topo da lista dos maiores poluidores pelo 5.º ano consecutivo, denuncia relatório



Desde 2018 que a Coca-Cola Company, um dos patrocinadores da 27.ª cimeira mundial do clima (COP27), está no topo da lista das empresas e marcas que mais contribuem para a poluição por produtos de plástico. Em segundo lugar, surge a PepsiCo, seguida pela Nestlé, pela Unilever e pela Mondeléz International.

A revelação é feita pela organização Break Free From Plastic, cujo mais recente relatório avança que, através de ações de limpeza realizada em 87 países, “foram recolhidos mais itens com a marca da Coca-Cola Company do que dos dois seguintes maiores poluidores juntos”. Ou seja, em 2022 foram recolhidos mais de 31 mil produtos com a marca Coca-Cola, o dobro face ao valor de 2018.

“Estes resultados são revelados numa altura em que o maior poluidor serve como patrocinador da conferência das Nações Unidas para as alterações Climáticas, a COP27”, escreve a organização, indicando que “dado que 99% do plástico é feito a partir de combustíveis fósseis, o papel da Coca-Cola na COP27 desconcerta os ativistas ambientais”.

Em setembro, nas antevésperas da cimeira, John Hocevar, diretor de campanhas do oceano da Greenpeace USA, afirmou que “a Coca-Cola produz 120 mil milhões de garrafas de plástico de uso único por ano”, frisando que a parceira entre a marca e a COP27 “mina o próprio objetivo do evento”.

Von Hernandez, coordenador global da Break Free From Plastic, afirma, em comunicado, que “em vez de permitirem que empresas como a Coca-Cola façam ‘greenwash’ à sua imagem, os governos precisam de exigir que os poluidores invistam na reutilização e em produtos alternativos” que permitam evitar o problema da poluição por plástico.

“Esta é uma das principiais transformações sistémicas exigidas para que o mundo possa evitar as consequências totais das alterações climáticas e da poluição por plástico”, salienta.

Rosa Pritchard, jurista especializada em plásticos da ClientEarth, assinala que “os maiores poluidores de plástico do mundo têm enchido de lixo o planeta” e que, ao invés de abandonarem embalagens de utilização única, “estão fixados na reciclagem, uma resposta completamente inadequada para as quantidades de plástico que estas empresas colocam no mercado todos os anos”.

A advogada argumenta que consumidores, acionistas e ONGs estão a recorrer à litigação para obrigar essas empresas “a sua obsessão com os plásticos”.

De recordar em que, no passado mês de março, as Nações Unidas aprovaram um acordo que pretende criar o primeiro tratado global, abrangente e legalmente vinculativo, sobre plásticos, abarcando todo o seu ciclo de vida, “desde a fonte até ao mar”, explicou, na altura, o Programa Ambiental das Nações Unidas, cuja diretora-executiva, Inger Andersen, descreveu como “o acordo ambiental multilateral internacional mais importante desde o acordo climático de Paris”.

Espera-se que até ao final de 2024 um tratado global sobre os plásticos esteja redigido, uma tarefa que está a cargo do Comité Internacional de Negociação, que deverá dar início aos trabalhos no dia 28 deste mês, no Uruguai.



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