Poluição: 15 das maiores empresas de carne e laticínios emitem mais metano do que a Rússia ou a Alemanha, denuncia relatório



Dez das maiores empresas de produção de carne e cinco do setor do leite e produtos derivados são responsáveis por emitir, no seu conjunto, perto de 12,8 milhões de toneladas de metano para a atmosfera, mais de 80% do total de emissões desse gás por toda a União Europeia e mais do que a Rússia, a Alemanha ou o Canadá.

A denuncia é feita pela organização Changing Markets Foundation, no seu mais recente relatório divulgado esta semana sob o título ‘Emissions Impossible: How emissions from big meat and dairy are hating up the planet’.

Contas feitas, os autores indicam que as emissões conjuntas dessas 15 empresas “representam cerca de 3,4% de todas as emissões antropogénicas de metano a nível global” e 11,1% de todo o metano mundial emitido por explorações de gado.

No que toca ao dióxido de carbono, o documento revela também que esse mesmo grupo de empresas produz umas estimada 734 milhões de toneladas, “mais do que as emissões da Alemanha”.

É importante recordar que o metano é um gás poluente com uma capacidade de efeito de estufa que é 80 vezes superior à do dióxido de carbono num período de 20 anos, embora apenas persista na atmosfera por não mais de uma década.

Refere a Changing Markets que as Nações Unidas defendem que as emissões de metano têm de ser reduzidas em, pelo menos, 40% para que se possa alcançar a meta de 1,5 graus Celsius de aquecimento global face ao período pré-industrial, e que a criação industrial de gado é responsável por aproximadamente 32% de todas as emissões de metano geradas pela atividade humana.

Os relatores escrevem que se essas 15 empresas fossem um país, seriam o décimo maior emissor de gases com efeito de estufa de todo o mundo, e que as suas emissões “excedem as de empresas petrolíferas, como a ExxonMobil, a BP e a Shell”.

Nusa Urbancic, diretora de campanhas da Changing Markets, afirma que “uma mão cheia de corporações de carne e laticínios é responsável por uma em cada 10 toneladas de metano produzidas pela pecuária” e que “os governos deviam exigir que reportassem e reduzissem as suas emissões e obrigar estas empresas riquíssimas a cumprirem o que dizem e a investir em verdadeiras soluções climáticas”.

O grupo abrangido pela análise é composto pelas seguintes empresas: Arla, Dairy Farmers of America, Danone, Deutsche Milchkontor, Fonterra, FrieslandCampina, Lactalis, Nestlé, Saputo, Yili, Danish Crown, JBS, Marfrig, Tyson e WH Group.

A Changing Markets lembra que em 2021, na cimeira climática de Glasgow, no Reino Unido, mais de 110 países assumiram o compromisso de reduzir em 30% as emissões de metano até 2030, e salienta que as 15 empresas abrangidas por este relatório estão sediadas em 10 desses países, com exceção da China.

Dados da Convenção-quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas mostram que pelo menos cinco dos países que assumiram o compromisso de reduzir o metano enviado para a atmosfera aumentaram as suas emissões geradas pela exploração pecuária ao longo dos últimos 10 anos: Estados Unidos da América (mais 5%), Brasil (mais 6%), China (mais 17%), Nova Zelândia (mais 3%) e Países Baixos (quase 2%).

A organização assinala que para ser possível combater as emissões de gases com efeito de estufa e o ‘greenwashing’, é fundamental a obrigatoriedade da divulgação das emissões por parte das empresas, bem como a verificação independente desses relatórios.

O relatório insta as empresas a “definirem metas de redução de emissões e planos de ação alinhados com o objetivo global de limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus”, a estabelecerem metas de redução especificamente para o metano e a reduzirem “o número de animais nas cadeias de abastecimento globais.



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