Poluição: Estudo alerta que não há quase lugar na Terra em que seja seguro respirar



Em apenas 0,18% da superfície terrestre global, os níveis de matéria particulada fina (PM 2.5) suspensa no ar estão abaixo dos padrões de segurança definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), abrangendo somente 0,001% da população mundial.

A revelação é feita por uma equipa de investigadores da Austrália e da China num artigo divulgado na ‘The Lancet – Planetary Health’, e recordam que já foi cientificamente comprovado que a exposição a níveis elevados de partículas finas está associada a problemas de saúde, sobretudo aos níveis pulmonar e cardíaco.

Os autores afirmam que, embora nas últimas duas décadas tenham vindo a cair na Europa e na América do Norte, os níveis de PM 2.5, em contraste, têm aumentado no sudeste asiático, na Austrália, na Nova Zelândia, na América Latina e nas Caraíbas. Além disso, as estimativas apontam para que os níveis de partículas finas no ar estejam acima dos níveis considerados seguros em mais de 70% do ano. Esse tipo de partículas são formadas, essencialmente, pela queima de combustíveis fósseis ou por incêndios.

“Embora as concentrações ambientais de PM 2.5 variem substancialmente pelo mundo, poucas áreas terrestres globais e populações estão expostas a concentrações de PM 2.5 abaixo do limite estabelecido em 2021 pela OMS”, escrevem os autores. A OMS definiu como seguros, ou seja, que não representam riscos para a saúde humana, uma exposição anual a concentrações de partículas finas de 5 μg/m3.

“Os resultados evidenciam a desigualdade na exposição da população global à poluição atmosférica, particularmente no sul e leste da Ásia”, apontam, acrescentando que “as nossas descobertas são importantes para estratégias de mitigação da poluição atmosférica global e para avaliar os efeitos a longo-prazo na saúde da exposição a PM 2.5”.

A investigação permitiu também perceber que as concentrações de partículas finas no ar variam consoante a estação do ano. Por exemplo, foram registados níveis altos de PM 2.5 durante o período de inverno no nordeste da China e no norte da Índia, ao passo que as concentrações foram maiores durante os meses de verão na região oriental da América do Norte.

Estima-se que a poluição atmosférica, incluindo as partículas finas, tenha sido a causa de mais de seis milhões de mortes prematuras em 2019, e os cientistas dizem que, mesmo em concentrações consideradas seguras, a exposição a PM 2.5 pode causar danos na saúde humana.

Apesar da consciência do problema e de terem já sido implementadas algumas medidas para medir e atenuar a poluição atmosférica por partículas finas, os autores lamentam que a escassez de estações de monitorização e a sua “fraca homogeneidade” tornam a medição precisa da exposição global a PM 2.5 “um desafio”.



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