Poluição sonora ameaça golfinhos e baleias

Trata-se de um problema crescente para alguns elementos da fauna marinha, como é o caso dos golfinhos, cachalotes e baleias-piloto, que habitam o mar entre os continentes europeu e africano. Vários investigadores afirmam que as mortes se devem ao uso de sonares de profundidade por parte da indústria pesqueira – sonares estes que funcionam na mesma frequência de comunicações usada pelos golfinhos, o que causa desorientação nos animais.

Segundo um outro estudo – este, desenvolvido pelo Fundo Internacional do Bem-Estar Animal –, a cada década que passa, os níveis de barulho no fundo do mar têm duplicado, ameaçando a sobrevivência dos cetáceos. Os mamíferos marinhos como as baleias e os golfinhos dependem em grande parte do som para a comunicação e percepção do meio. É que os assobios ultrassónicos que os golfinhos emitem – inaudíveis para o ser humano – chocam com os objetos em redor e devolvem um eco percetível. Graças a isto podem guiar-se pelo mar e evitar serem a refeição de um predador.

Vários são os motivos que causam o aumento da poluição acústica nos mares: as cada vez maiores auto-estradas marítimas, os levantamentos sísmicos marinhos e, também, a exploração petrolífera e de gás natural. Diz o Fundo Internacional do Bem-Estar Animal que, em determinadas regiões do planeta, o índice de ruído no fundo dos oceanos está a duplicar a cada década que passa.

“A humanidade está literalmente a afogar os mamíferos marinhos”, afirma Robbie Marsland, director do Fundo Internacional do Bem-Estar Animal, no Reino Unido. “Enquanto ninguém sabe as reais consequências para estes animais específicos, a não ser que a comunidade internacional tome medidas preventivas, poderemos acordar demasiado tarde para os prejuízos que estamos a causar”, alerta. A União Internacional para a Conservação da Natureza, na sua contribuição para as espécies cetáceas, anunciada recentemente, conclui também que o barulho dos oceanos começa a ser uma séria ameaça.

Estima-se que os fortes barulhos provocados apenas pelos dispositivos da Marinha de escuta subaquáticos, principalmente os sonares, resultam na perda auditiva temporária ou permanente para mais de 250 mil criaturas marinhas todos os anos, um número que tem vindo a aumentar.

Os cientistas descobriram agora que as baleias podem diminuir a sensibilidade da audição para proteger os ouvidos de ruídos altos – ainda que não tenha sido, para já, possível apurar a forma como o fazem. “É o equivalente a colocar um protector nos ouvidos quando um jacto está a sobrevoar por cima de nós”, explicou Paul E. Nachtigall, biólogo marinho. É como um controlo de volume.

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