Preço do carbono e impostos sobre combustíveis entre as políticas climáticas mais eficazes a nível global

Um novo estudo mostra que os melhores resultados são alcançados por países que combinam vários instrumentos políticos, em vez de apostarem numa única solução.

Green Savers Redação

As políticas de preço do carbono e de tributação sobre as emissões estão entre os instrumentos mais eficazes para reduzir o dióxido de carbono (CO₂) em todo o mundo, conclui um estudo internacional que analisou medidas de ação climática adotadas em 40 países desde 1990. A investigação, publicada na revista científica Climate Policy, mostra que os melhores resultados são alcançados por países que combinam vários instrumentos políticos, em vez de apostarem numa única solução.

A análise cobre um período de 32 anos e avalia a eficácia de políticas como impostos sobre o carbono, taxas sobre combustíveis fósseis, investimento em energias renováveis e apoio à investigação e desenvolvimento. Segundo os autores, países como a Suécia e a Noruega destacam-se por terem aplicado um conjunto amplo e consistente de políticas climáticas, com diferentes graus de exigência, conseguindo reduções sustentadas das emissões.

O estudo foi conduzido por investigadores das universidades de Barcelona, Lausanne, Munique (LMU) e Oslo, que defendem que não existe uma política “ótima” isolada. Pelo contrário, a eficácia da ação climática resulta da implementação continuada de múltiplas medidas ao longo do tempo, adaptadas ao contexto nacional de cada país.

Além de avaliar o impacto das políticas passadas, o trabalho identifica onde existe maior margem para reforçar a ação climática no futuro. Austrália, Canadá e Japão surgem entre os países com maior potencial de melhoria, nomeadamente através do aumento dos impostos sobre os combustíveis fósseis, uma medida que, segundo os autores, poderia gerar reduções significativas de emissões.

A investigação apresenta ainda um novo método de análise que permite avaliar simultaneamente vários instrumentos de política climática, respondendo à crescente complexidade dos quadros legislativos nesta área. Para o autor principal, Yves Steinebach, da Universidade de Oslo, este tipo de abordagem é essencial numa altura em que os governos acumulam políticas e instrumentos: “À medida que os esforços climáticos se expandem, torna-se cada vez mais difícil avaliar o que funciona. Este estudo ajuda a identificar as medidas com maior probabilidade de serem eficazes em cada contexto nacional.”

O editor-chefe da Climate Policy, Pieter Pauw, sublinha a relevância do trabalho, considerando que oferece “uma análise rigorosa e oportuna” para apoiar os países na definição de estratégias mais eficazes de redução das emissões de carbono, num momento em que a urgência climática e a complexidade das respostas políticas continuam a aumentar.

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