Alterações climáticas reduzem quantidade e qualidade do néctar. Borboletas e polinizadores enfrentam futuro (ainda mais) incerto

Uma investigação encabeçada pela Universidade de Otava (Canadá) alerta que o néctar do qual as borboletas-monarcas dependem já não é o que em tempos foi. E a culpa é dos efeitos das alterações climáticas.

Redação

Todos os outonos, milhares de borboletas-monarcas (Danaus plexippus) lançam-se aos céus numa das maiores migrações do mundo natural. Percorrem mais de três mil quilómetros dos campos do Canadá até às florestas montanhosas do México, onde passarão o inverno.

A espécie, e o espetáculo por ela criado, já enfrenta uma panóplia de ameaças que põem em risco a sua sobrevivência e que estão a intensificar-se, como a perda de habitat, fenómenos climáticos extremos como ondas de calor e incêndios de grandes dimensões e os impactos dos pesticidas. No entanto, uma equipa de investigadores descobriu um outro fator que poderá pressionar ainda mais a sobrevivência destas borboletas icónicas.

Num artigo publicado este mês na revista ‘Global Change Biology Communications’, a investigação encabeçada pela Universidade de Otava (Canadá), alerta que o néctar do qual as borboletas-monarcas dependem já não é o que em tempos foi. E a culpa é dos efeitos das alterações climáticas.

Os cientistas identificaram as plantas cujo néctar as borboletas consomem para ganharem forças durante a sua grande migração e perceberam que um aumento ligeiro de apenas 0,6 graus Celsius era suficiente para reduzir a qualidade do néctar. As borboletas que se alimentam desse néctar “aquecido” ganham cerca de menos um quarto de gordura do que as outras.

“O aquecimento está a tornar o néctar menos nutritivo”, explica, em comunicado, Heather Kharouba, principal coautora do estudo. Mesmo que as borboletas possam comer tanto quanto querem, aponta, não conseguem compensar a qualidade reduzida do néctar.

Além de produzirem néctar com menos açúcares, o que produzem é em menor quantidade em temperaturas mesmo ligeiramente mais elevadas. E os impactos não se limitam borboletas-monarcas, pois podem afetar outros insetos que se alimentam de néctar e que são fundamentais na polinização das plantas.

“Estamos a ver que as alterações climáticas podem atingir os polinizadores indiretamente, ao degradarem os recursos dos quais eles dependem”, diz Kharouba. A investigadora acredita que os resultados deste estudo são “um sinal de alerta para todos aqueles que trabalham para proteger estas borboletas”.

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