Quer tornar o seu negócio mais sustentável? Conheça algumas medidas e apoios para ajudar nessa jornada



O caminho das empresas em direção a uma crescente sustentabilidade é já apontado como uma inevitabilidade para aquelas que não querem ficar para trás, que se querem manter competitivamente relevantes, que querem reduzir os seus impactos no ambiente, na sociedade e no planeta, que querem contribuir para os esforços globais de transição para economias climaticamente neutras.

No entanto, entre a vontade e a concretização pode haver um fosso tal que muitas empresas, especialmente as mais pequenas, com menos recursos e menores dimensões, como as PME, não sabem como fazer parte da solução. E isso acontece não necessariamente porque não querem, mas muitas vezes porque não sabem como aceder a medidas e apoios públicos para se transformarem e alinharem os seus negócios com os objetivos ambientais e climáticos.

Sabendo que a quase totalidade do tecido empresarial português são PME, e que, dessas, se estima que nove em cada 10 sejam microempresas com menos de 10 trabalhadores, saber onde podem ir buscar ajuda para se tornarem mais sustentáveis é fundamental para os esforços de descarbonização da economia portuguesa e para alinhá-la com os compromissos ambientais e climáticos assumidos pelo país.

Cláudia Carocha, diretora de Inovação e Iniciativas do Conselho Empresarial Português para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD Portugal), diz-nos que “a colaboração entre o setor público e o privado é o pilar central para aumentar a competitividade de Portugal”, uma vez que “permite mudar a visão do financiamento como um obstáculo para uma visão como motor de desenvolvimento sustentável”.

Para a responsável, a sinergia entre público e privado “é fundamental para que as empresas abandonem investimentos isolados em sustentabilidade, e adotem abordagens colaborativas, diversificadas e sistémicas, que são as que garantem a sustentabilidade a longo prazo”.

Cláudia Carocha sublinha que, para o país poder alcançar os objetivos traçados no Plano Nacional e Energia e Clima 2030 e no Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, “o setor público tem um papel fundamental enquanto facilitador estratégico, promovendo a simplificação administrativa e a redução da burocracia, que atualmente inibem o investimento privado”.

E acrescenta que “ao alinhar os programas de apoio público com as necessidades reais das empresas e ao investir na formação para colmatar a falta de literacia financeira, a colaboração assegura que o tecido empresarial – maioritariamente composto por PME – consiga inovar e tornar-se mais competitivo”.

Se tem uma PME e quer pôr a sua empresa na rota da sustentabilidade ou reforçar algumas ações que tem vindo a implementar, fique a conhecer algumas medidas e apoios públicos disponíveis.

  1. Portugal 2030 (Inovação e Transição Climática)

Este programa é o principal motor de apoio ao investimento produtivo e modernização.

  • SICE – Inovação Produtiva (Territórios de Baixa Densidade)
    • Estado: Aberto (Fase 2 até 31 de março de 2026).
    • O que apoia: Projetos que envolvam a criação de novas unidades industriais ou a expansão de existentes, com foco especial para projetos que contribuam para eficiência energética e modelos de economia circular.
  • SICE – Internacionalização das PME
    • Estado: Aberto (Fase 2 até 27 de fevereiro de 2026; Fase 3 até 30 de junho de 2026).
    • O que apoia: Apoia a presença em feiras e marketing digital internacional. A vertente de sustentabilidade entra aqui como fator de competitividade (certificações ambientais exigidas por mercados externos).
  • SITCE – Descarbonização e Eficiência Energética
    • Estado: Previsto (Lançamento de novos avisos no 1.º semestre de 2026).
    • O que apoia: Substituição de caldeiras, isolamento térmico de pavilhões industriais e implementação de sistemas de gestão de energia.

 

  1. Fundo Ambiental (Mobilidade e Edifícios)

Focado em despesas mais diretas e de rápida execução.

  • Mobilidade Verde 2025/2026:
    • Estado: Aberto (Fase atual até 30 de junho de 2026 ou até esgotar a dotação).
    • O que apoia: Aquisição de veículos ligeiros de passageiros e de ligeiros de mercadorias e de bicicletas de carga 100% elétricos. Os apoios aos ligeiros de passageiros esgotaram em menos de 24 horas depois de ter aberto a 29 de dezembro, mas é provável que seja criada nova ronda de apoios.
  • Programa E-Lar (Fase 2)
    • Estado: Aberto (Até 30 de junho de 2026).
    • O que apoia: Embora focado em habitação, é relevante para micro-empresas ou empresários em nome individual (ENI) que operem a partir de casa e queiram substituir fogões ou esquentadores a gás por soluções elétricas eficientes.





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