Reciclagem de baterias pode reduzir emissões e trazer ganhos económicos

Um estudo conduzido por investigadores chineses revela que a cooperação mundial na reciclagem de baterias de iões de lítio poderá reduzir as emissões de carbono associadas à sua cadeia de produção em até 35%.

Redação

Um estudo conduzido por investigadores chineses revela que a cooperação mundial na reciclagem de baterias de iões de lítio poderá reduzir as emissões de carbono associadas à sua cadeia de produção em até 35%.

A razão prende-se com o facto de a extração de metais para a produção destas baterias ser a maior fonte de emissões de carbono, embora esta etapa contribua menos para o valor económico final do que outras fases da cadeia de abastecimento. Os autores destacam Austrália e Nova Zelândia como importantes responsáveis pelas emissões devidas à produção de baterias, representando cerca de 6,3% do total mundial — um valor que deverá aumentar até 2060.

O artigo, publicado na revista Nature, analisa detalhadamente as emissões de carbono em cada fase da cadeia de produção das baterias de iões de lítio, procurando identificar onde podem ser feitas maiores reduções.

As baterias de iões de lítio são uma peça fundamental na transição para energias renováveis e são usadas em diversas aplicações, desde veículos elétricos a armazenamento de energia. Contudo, a produção e o descarte destas baterias geram uma pegada carbónica que pode anular parte dos benefícios ambientais que proporcionam.

O estudo, liderado por Yufeng Wu, concluiu que a maior parte das emissões provém da mineração dos minerais usados na fabricação das baterias, que representa 38,52% das emissões totais, mas apenas 18,78% do valor económico gerado pelo produto final. Em contraste, a produção dos cátodos, uma fase posterior da cadeia, gera 42,56% do valor económico e 34,82% das emissões.

Através de uma estratégia de economia circular, que inclui a reciclagem dos metais, as emissões globais relacionadas com a produção de baterias poderiam ser reduzidas, em média, em 35,87%. Em termos regionais, esta redução poderia chegar a 39,14% nos Estados Unidos, 37,28% na União Europeia e 42,35% na China.

No entanto, os autores alertam para o risco de desigualdades económicas, uma vez que alguns países poderão beneficiar financeiramente mais do que outros com a reciclagem das baterias. Por isso, defendem que esta economia circular deve ser suportada por acordos sólidos entre as nações.

Esta investigação sublinha a importância da colaboração global e da implementação de políticas regionais específicas para mitigar o impacto ambiental da produção e do consumo de baterias, ao mesmo tempo que se promove um modelo económico mais sustentável.

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