Rosalina Tanganho, Tabaqueira: “O compromisso com a sustentabilidade é transversal a toda a atividade”

Em entrevista ao Green Savers, a coordenadora de Sustentabilidade da Tabaqueira explica quais os principais desafios da empresa na área ambiental.

A Tabaqueira foi distinguida pela PMI, a nível mundial, pelo seu percurso ambiental. Quais os principais desafios da empresa na área da sustentabilidade?

A Tabaqueira, afiliada da Philip Morris International (PMI) em Portugal, assume um modelo de sustentabilidade integrada, reconhecido aliás no caso de estudo divulgado recentemente no Relatório Integrado 2019 da PMI, que destaca a Tabaqueira pelas suas práticas de sustentabilidade. Como grande empresa que fabrica e comercializa produtos de tabaco, a Tabaqueira, como a sua casa-mãe, assumiu o compromisso de alcançar um futuro melhor e livre de fumo. Este é um desígnio que a PMI anunciou em 2016, impondo uma verdadeira mudança do seu paradigma de negócio e de gestão. O Grupo PMI está atualmente a empreender uma profunda transformação de toda a sua atividade empresarial e a todos os níveis da sua cadeia de valor – da investigação e desenvolvimento com base na ciência, com uma equipa de mais de 430 cientistas e especialistas, do cultivo de tabaco aos resíduos pós-consumo, com métricas claras de transformação do negócio. E é isso que temos vindo a fazer, começando por procurar reduzir a nocividade dos produtos, através da inovação, desenvolvimento e substanciação científica de melhores alternativas aos cigarros para fumadores adultos que continuam a fumar – nomeadamente através de produtos sem combustão. Continuamos a alocar recursos da empresa para a concretização dessa ambição. O mesmo relatório acima mencionado sublinha o sucesso que a Tabaqueira teve na implementação no mercado português destes novos produtos sem combustão, de tabaco aquecido.

Para além de inovarmos para obtermos melhores produtos, constituem igualmente objetivos estratégicos cuidarmos das nossas pessoas, operarmos com excelência, assim como protegermos o ambiente. As diversas campanhas de sensibilização ambiental promovidas pela Tabaqueira desde há mais de uma década, procuram alertar os consumidores para a importância de descartarem adequadamente os resíduos que produzem, incluindo pontas de cigarros e filtros – em parceria com municípios portugueses e eventos de grande dimensão, como a Regata de Portugal ou festivais de verão. Estas iniciativas merecem nota positiva por parte da PMI, que elogia ainda as boas práticas da Tabaqueira (um dos principais centros de produção da PMI na Europa) no que respeita à gestão sustentável, lembrando que, em 2019, foi a primeira fábrica em Portugal a garantir a certificação Alliance for Water Stewardship (AWS), que reconhece a gestão sustentável de água (também objeto aliás de um caso de estudo pela SGS). Adicionalmente, sublinha o importante trabalho que temos vindo a fazer na área da segurança do trabalho. A eliminação de comportamentos de risco entre os trabalhadores fabris é uma das prioridades para a Tabaqueira que, entre outras ações, tem investido em iniciativas de sensibilização e programas de mudança comportamental.

Qual é a estratégia de sustentabilidade da empresa?

O compromisso da Tabaqueira para com a sustentabilidade é transversal a toda a sua atividade, procurando minimizar as externalidades negativas associadas ao consumo dos seus produtos, operação e cadeia de valor. Por um futuro melhor, a construir hoje, no presente o futuro, todos temos de fazer o que podemos. Como referi, investir na procura e criação de soluções para a redução da nocividade dos produtos de tabaco, com base em Ciência, é o maior contributo que uma empresa líder na produção e comercialização de produtos de tabaco pode dar para a sustentabilidade.

À medida que progredimos em direção à construção de um futuro livre de fumo, constituem igualmente objetivos estratégicos a redução da nossa pegada ambiental e a gestão sustentável dos recursos naturais limitados do planeta, o respeito pelas pessoas na nossa cadeia de valor, bem assim como obtenção de excelência operacional. Estes objetivos estratégicos da empresa, pilares da sua sustentabilidade, refletem os temas e oportunidades em que cremos poder contribuir de forma mais significativa para a sociedade. Assumimos o compromisso de implementar programas com métricas objetivas e transparentes para alcançar os objetivos ambiciosos que estabelecemos para cada uma destas áreas, e monitorizamos anualmente o nosso desempenho rumo a um futuro melhor, sem fumo, e de que é exemplo o recente Relatório Integrado da companhia, que monitoriza o desempenho ambiental, social e de governança da Organização.

Que papel devem ter as empresas para ajudarem Portugal a atingir a neutralidade carbónica em 2050?

Muito se tem falado na responsabilidade social das empresas e no papel que estas desempenham na sociedade e junto das comunidades e pessoas para as quais trabalham e com as quais interagem – uma preocupação que é central para a Tabaqueira, uma vez que interage diariamente com milhares de stakeholders, incluindo os seus quase mil trabalhadores e muitas centenas de pequenas e médias empresas que dependem da nossa atividade produtiva diária.

Também a rápida transformação da realidade e dos contextos de negócio em que vivemos impõem às organizações a necessidade de se adaptarem. Na última década, a agenda da sustentabilidade nos negócios avançou de muitas formas, e uma das mudanças mais notáveis foi o enfoque crescente na procura de soluções e na forma como o setor privado pode acelerar mudanças positivas e ajudar a impulsionar a comunidade que integra, criando valor e impulsionando o desenvolvimento sustentável de Portugal – premissa aliás que é apanágio da nossa visão integrada de sustentabilidade transversal a toda a nossa atividade empresarial.

Graças ao investimento que temos feito em novas tecnologias, entre outras iniciativas, a totalidade da energia elétrica que consumimos na Tabaqueira é, desde 2015, proveniente de fontes renováveis; reciclamos ou valorizamos energeticamente mais de 99% dos resíduos gerados; entre 2010 e 2019, reduzimos o nosso consumo de água em 48%, de energia em 40% e as emissões de CO2 em 71%. E mais recentemente implementámos um parque solar fotovoltaico na zona da fábrica.

Ao nível do Grupo, importa destacar ainda que a PMI voltou a ser reconhecida pelo sexto ano consecutivo como empresa líder em matéria ambiental pela Carbon Disclosure Project. E já em julho deste ano a PMI comprometeu-se, até 2030, a alcançar a neutralidade carbónica nas suas operações diretas (o que inclui a sua operação fabril em Portugal) e, até 2050, em toda a cadeia de valor da empresa.

No âmbito do seu trabalho de descarbonização, a Tabaqueira implementou um Parque Solar Fotovoltaico na Fábrica em Albarraque, Sintra. Que projecto é este?

Apesar de 100% da energia elétrica da Tabaqueira provir de fontes renováveis, através de investimento superior a um milhão e meio de euros, a empresa desenvolveu ainda nas instalações da sua fábrica, um programa a nível energético e ambiental que contempla um parque solar fotovoltaico e a renaturalização de uma ribeira. Foi implementada uma central solar fotovoltaica, que cobre uma área de 5.525 m2 com capacidade de 1MW, que garantirá a meta da Tabaqueira de 5% na geração de energia elétrica para autoconsumo e reduzirá a pegada ambiental de emissões de CO2 em mais de 800 Toneladas por ano.

Trata-se de mais uma iniciativa que faz jus ao ADN de sustentabilidade integrada da Tabaqueira, um trabalho que tem sido reconhecido nacionalmente. Por exemplo, em 2019, a Tabaqueira foi novamente distinguida pela Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE) precisamente pelas suas boas práticas no domínio da produção e do consumo sustentáveis (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, ODS 12), após ter sido reconhecida em 2018 na área Saúde de Qualidade (ODS 3).

Quais as principais campanhas que a Tabaqueira tem vindo a promover no âmbito da sensibilização ambiental?

A questão dos resíduos é transversal a muitos outros produtos que são descartados incorretamente, não só filtros de cigarro, mas também vidros, papel, garrafas de plástico – a que se vieram juntar, agora, as máscaras descartáveis que se encontram no chão. Assim, no atual contexto, é sem dúvida necessária uma mais intensa consciencialização dos cidadãos quanto ao impacto das suas ações, demonstrando que, em conjunto, podem ter um impacto positivo considerável em prol de uma boa gestão dos recursos naturais e da sustentabilidade futura do planeta. Quero também salientar que, mesmo em tempos excecionais como aqueles que vivemos, é possível e faz todo o sentido continuar a trabalhar na sustentabilidade e apostar numa recuperação da economia verde.

Há mais de uma década que a Tabaqueira tem vindo a conduzir inúmeras iniciativas no domínio da sensibilização ambiental (também em destaque no Relatório Integrado 2019 da PMI). Por exemplo, as campanhas promovidas que procuraram alertar e encorajar os consumidores a disporem devidamente os filtros dos cigarros em cinzeiros e caixotes do lixo. Um caminho que a Tabaqueira tem feito desde 2008 e 2009, quando a Tabaqueira em parceria com a ABAE e os Municípios de Sintra, Porto Santo e Praia da Vitória, lançou uma campanha-piloto de sensibilização ambiental que decorreu em 11 praias. Ou a ação em 2018, em pleno inverno, subordinada ao mote “CADA COISA NO SEU LUGAR”, “#QUEBREOHÁBITO” com a Associação Bandeira Azul da Europa, e em parceria também com a Câmara Municipal de Oeiras, CP – Comboios de Portugal e Infraestruturas de Portugal, a alertar para uma realidade que muitos desconhecem: no mundo, cerca de 80% do lixo que vai parar ao mar é atirado para o chão em terra.

Entre outras iniciativas, contam-se também as parcerias com vários municípios portugueses e com outras entidades, incluindo diversos eventos de grande dimensão, como a Regata de Portugal ou Festivais de Verão, onde por exemplo no ano passado foram entregues mais de 36 mil cinzeiros portáteis reutilizáveis. E mais recentemente o projeto-piloto tecnológico para combater os resíduos no chão que decorreu no âmbito da Capital Verde Europeia 2020, com a participação de parceiros tecnológicos internacionais – as startups Cortexia e Litterati, para além da Carto – e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa. Este projeto-piloto decorreu em Lisboa, mas é objetivo do Grupo, já em 2021, expandir esta iniciativa a outras geografias mundiais (sendo que o grupo está presente em 180 países). Iremos intensificar as campanhas de sensibilização ambiental e de incentivo ao descarte adequado do lixo pelos consumidores, em cooperação com as autoridades locais e outras entidades, a fim de cumprir a nossa meta ambiciosa de reduzir para metade os resíduos plásticos dos nossos produtos até 2025 (versus 2021). Estamos também a trabalhar em termos de “economia circular” ao integrar a circularidade no desenvolvimento dos nossos produtos, melhorando a eficiência e reciclabilidade e fortalecendo o nosso programa de coleta dos dispositivos eletrónicos de aquecimento de tabaco.

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