Sabia que hoje é o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil? (OPINIÃO)



Se não sabia, não se preocupe. Infelizmente, o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil passa muitas vezes ao lado das preocupações do dia-a-dia da sociedade. Não entra nos noticiários, não faz manchetes nem gera polémica.

Duas décadas depois de ter ganho algum mediatismo pontual, os números deste flagelo continuam a ser chocantes: estima-se que existam 215 milhões de crianças em todo o mundo envolvidas no trabalho infantil e há 68 países, entre os quais o Brasil, onde o risco de existirem menores de 15 anos a trabalhar é extremo.

Segundo o índex de 2012 da Maplecroft, que avalia o trabalho infantil em todo o mundo, este problema não está restrito às economias em desenvolvimento. Para além do Brasil, países como Estados Unidos, Espanha, Itália ou Reino Unido têm riscos “médios” de trabalho infantil.

Entre os principais abusadores estão, por ordem de risco, Myanmar, Coreia do Norte, Somália, Sudão, Congo, Zimbabué, Afeganistão, Burundi, Paquistão e Etiópia. Portugal tem um risco “fraco” de trabalho infantil.

Num artigo de opinião publicado hoje no The Guardian, a directora-geral da ONG de desenvolvimento de ética nas cadeias de fornecedores Sedex explica porque razão as marcas e os seus fornecedores têm de trabalhar juntos para eliminar este problema.

Para quem ainda tem dúvidas, aqui fica o conselho: “A performance ética das empresa está sob escrutínio cada vez maior dos seus clientes, dos media, investidores e outros stakeholders. As notícias de trabalho infantil na cadeia de fornecimento podem atingir a reputação de uma empresa e levar à perda de receitas”, afirma Carmel Giblin. E vice-versa: uma cadeia de fornecedores livre de trabalho infantil levará ao aumento dos lucros.

A verdade é que as empresas e marcas continuam sem sabe o que acontece na sua cadeia de fornecedores e logística – ou fecham os olhos. No terceiro ou primeiro mundo: a taxa de trabalho infantil no Reino Unido é apenas 2% menor que no Paquistão, Sri Lanka ou Vietname.

O trabalho da Sedex com os stakeholderes identificou algumas das razões mais comuns para o trabalho infantil. Em países ou sectores onde os salários são baixos, as famílias dependem do rendimento extra para comprar comida. Alguns trabalhos na agricultura pagam aos trabalhadores com base na quantidade de alimentos apanhados, o que pode encorajar os pais a levarem os filhos para o campo.

“Para resolver esta questão, os negócios têm de identificar onde é que isto acontece. Ter uma visão completa de toda a cadeia de fornecedores é vital [para as empresas]”, explica Carmel Giblin.

Desta forma, as empresas ganham o controlo sobre a sua reputação. Infelizmente, não faltam exemplos de como grandes empresas são apanhadas de surpresa por trabalho infantil na sua cadeia de fornecedores. Ou, no caso recente da Zara, no Brasil, trabalho escravo.

Nos últimos anos, empresas como a Apple têm tentado descobrir o que se passa na sua cadeia de fornecedores, na China. Acções destas são meio caminho andado para eliminar o trabalho infantil.

“Pela nossa experiência, é mais fácil para os fornecedores se as empresas adoptarem abordagens comuns para monitorizar e melhorar os standards de trabalho da cadeia logística. Há ferramentas que podem prometer uma maior transparência na metodologia de auditoria – e oferecer aos fornecedores a oportunidade de completarem uma auditoria que podem ser utilizada para encontrar as necessidades de múltiplos clientes”, concluiu Giblin, que diz que é possível eliminar o trabalho infantil em 2016. Será difícil.





Notícias relacionadas



Comentários
Loading...