Sapos-arlequim: Mais de 30 espécies que se consideravam extintas, afinal, ainda persistem na natureza, revela estudo



Os anfíbios contam-se entre as populações de animais que mais perdas têm sofrido. Estimativas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) apontam que entre 40% e 60% de todas as espécies de anfíbios inspiram preocupação e os cientistas consideram que “a magnitude e a velocidade desses declínios não têm precedentes”.

As principais ameaças aos anfíbios em todo o mundo são a perda e fragmentação dos seus habitats naturais, as alterações climáticas e doenças, de acordo com um estudo publicado na revista ‘Biological Conservation’. Por terem uma pele permeável e por terem uma capacidade limitada de deslocação para outras áreas, os anfíbios ficam, assim, mais vulneráveis a mudanças climáticas e a surtos patogénicos, especialmente ao Batrachochytrium dendrobatidis, um fungo amplamente estudado e que desde os anos 1980 tem sido a causa da morte de inúmeros indivíduos de mais de 500 espécies de anfíbios.

Apesar das ameaças, há razões para ter esperança. Os autores do artigo, cientistas dos Estados Unidos e do Equador, descobriram que 32 espécies de sapo-arlequim, do género Atelopus, que se pensava estarem extintas, afinal, ainda persistem na natureza. Mas os cálculos indicam que mais de 80% das espécies de sapo-arlequim tenham sido empurradas para a extinção ao longo dos últimos 40 anos.

Créditos: Kyle Jaynes

Através de trabalho de campo e da revisão de estudos realizados anteriormente, perceberam que no início deste século foram registadas várias observações de espécies que se consideravam extintas há décadas.

Kyle Jaynes, o principal autor do estudo, afirma que, ao todo, 87 espécies de sapo-arlequim estariam extintas na natureza. Contudo, “até ao momento, 32 dessas espécies em tempos desaparecidas – isto é, 37% – foram redescobertas durante as últimas duas décadas”, salienta o cientista, confessando que “este é um número chocante”.

Ainda assim, e apesar das notícias animadoras, os especialistas alertam que “redescoberta não é sinónimo de recuperação”, visto que, através de amostras de ADN recolhidas de espécies redescobertas, perceberam que essas populações apresentam uma diversidade genética menor do que outras espécies que tenham desaparecido mais recentemente.

Quanto menor é a diversidade genética, menor é também a capacidade que as espécies têm para se adaptarem, com sucesso, a futuras ameaças, como novas doenças ou novos impactos climáticos.

Os cientistas acreditam que o estudo permitirá chamar a atenção para a importância de perceber a capacidade de adaptação dos sapos-arlequim, para que sejam possível conceber as melhores estratégias de proteção e conservação dessas espécies. Além disso, é necessário mais trabalho de investigação para se compreender melhor o que permitiu que espécies que se considerava extintas na natureza conseguissem sobreviver, apesar de tudo indicar que teriam desaparecido de vez.

“As redescobertas de espécies servem de ‘experiências naturais’ para desvendar os mecanismos que permitem às populações naturais responderem a novas mudanças”, escrevem os especialistas, e deixam um aviso: “Muitas espécies redescobertas provavelmente ainda estarão no limiar da extinção”.



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