Serão as máscaras e as luvas o próximo plástico no mundo?

Desde o inicio do ano que o mundo está a lutar contra a propagação do coronavírus, sendo adotadas diversas medidas de forma a prevenir o contágio entre pessoas. Ainda assim, outro problema está agora a surgir e a contribuir para a poluição ambiental: os materiais usados na prevenção.

As máscaras e as luvas descartáveis são materiais de prevenção bastante comuns atualmente, no entanto, estão a começar a preocupar os ambientalistas pelo facto das pessoas não terem a responsabilidade de os depositar de forma correta.

Nathan Murphy, da Environment Michigan, afirma “Os tipos mais comuns de luvas de proteção, feitos de nitrila, borracha sintética, látex, vinil ou outros materiais semelhantes, vão permanecer no ambiente por anos, décadas e até séculos”. Já as máscaras “são feitas de polipropileno, um tipo de plástico, que não se decompõe rapidamente” garante Tracey Read da Plastic Free Seas.

Este tipo de objetos no ambiente ameaçam a vida selvagem e os ecosistemas, além do facto de contribuírem para o contágio de mais pessoas.

Em Hong Kong, já são visíveis os efeitos que o descartar destes materiais está a ter para o ambiente. Gary Stokes, fundador do grupo ambientalista Oceans Asia, encontrou cerca de 70 máscaras numa praia, e ao regressar passado uma semana contabilizou mais 30.

Em Portugal, a situação não é diferente. No passado dia 23 de março a GNR (Guarda Nacional Republicana) fez um apelo aos portugueses, de forma lúdica, para que não deitem as máscaras e as luvas para o chão, “Em bom português, lançar a máscara e as luvas para o chão, após a sua utilização, é uma falta de educação e uma fonte de contágio”.  

São vários os cidadãos que usam as redes sociais, nomeadamente o Facebook, para alertar para o sucedido. O local mais comum são os parques de estacionamento de supermercados, em que à saída as pessoas deixam no chão os materiais, após utilização. No mesmo contexto, uma reportagem da SIC Notícias presenciou o acontecimento em superfícies comerciais de Lisboa, onde foram deixadas luvas no estacionamento e em carrinhos de compras.

Contundo, é preciso realçar que a Direção Geral da Saúde (DGS) considera que as luvas não são eficazes quando usadas de forma inadequada, e que as máscaras devem ser usadas apenas por pessoas doentes, suspeitas de infeção por COVID-19 e profissionais de saúde. A DGS reforça que são fundamentais as práticas de higiene como lavar as mãos com frequência, o distanciamento social, e o evitar espaços comuns que não sejam arejados.

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