Setor automóvel diz que decisão de Bruxelas permite maior flexibilidade nas metas



A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) disse ontem que a decisão da Comissão Europeia (CE) de abandonar a meta de ter em 2035 só carros elétricos ou a hidrogénio, fixando-a agora nos 90%, permite maior flexibilidade.

“Tal como era esperado, e a indústria automóvel vinha a exigir, a Comissão [Europeia] regressou ao princípio que defendemos logo em 2019, da designada neutralidade tecnológica”, destacou.

Para a associação, isso permite “o cumprimento de metas com uma maior flexibilidade”, apontando que “os construtores de automóveis, não podem correr o risco de pagar milhões de euros de penalização, por não atingirem as metas rigorosas definidas por Bruxelas”.

Segundo a ACAP, Bruxelas refere que “em 2035 a meta de redução total de emissões será de 90% e não de 100%, como acontecia atualmente”, sendo que “os restantes 10% terão de ser compensados com veículos que utilizem, designadamente, aço de baixo carbono ou combustíveis sintéticos (‘efuels’)”.

Segundo o comunicado, “nos veículos comerciais ligeiros, a meta de redução de 50% de emissões em 2040 passa para 40%”, sendo que “também nos veículos de empresas, são estabelecidas metas obrigatórias para adotar veículos com nível nulo ou baixo de emissões”.

“Tal como a ACAP tem defendido, a mobilidade elétrica está a evoluir a um ritmo superior à média do mercado, mas é ainda necessário alargar a rede de carregamento assim como introduzir uma verdadeira política de incentivo à mobilidade elétrica”, salientou, reconhecendo que “os veículos elétricos serão a escolha dominante, mas, para fazer a transição, será necessário introduzir alguma flexibilização”.

A associação realçou que, “para que não exista qualquer equívoco”, os construtores de automóveis “investiram centenas de milhões de euros na mobilidade elétrica e colocaram no mercado mais de 300 modelos de veículos eletrificados”, apontando que, não pode, por isto, “existir qualquer dúvida quanto ao seu compromisso neste tipo de mobilidade”.

O Pacote Automóvel, ontem anunciado, responde aos apelos da indústria da União Europeia para simplificar as regras e oferecer à indústria mais flexibilidade para atingir as metas de dióxido de carbono (CO2) e apoia veículos e baterias fabricados na UE.

Com esta revisão das metas, Bruxelas considera que a competitividade da UE aumenta, ao mesmo tempo que economiza custos estimados em 706 milhões de euros por ano e redução da burocracia.

Isto permitirá que os híbridos ‘plug-in’ (PHEV), os extensores de autonomia, os híbridos suaves e os veículos com motor de combustão interna continuem a circular depois 2035, para além dos veículos totalmente elétricos (EV) e dos veículos a hidrogénio.






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