Shell deverá apresentar lucros abaixo do esperado pela primeira vez nos últimos dez anos

A Royal Dutch Shell, a maior petrolífera da Europa por valor de mercado, deverá apresentar pela primeira vez lucros abaixo do esperado. Esta é a primeira vez em dez anos que a Shell vai reportar ganhos abaixo das estimativas.

Os resultados referentes ao último trimestre de 2013 deverão ficar €738,2 milhões abaixo das projecções iniciais. O resultado líquido ajustado excluindo itens extraordinários deverá atingir cerca de €2,1 mil milhões, menos que no terceiro trimestre do último ano, quando registou €4,1 mil milhões, e menos 48% que trimestre homólogo de 2012. Os lucros referentes à actividade anual deverão ficar-se em €14,4 mil milhões, comparados com €18,7 mil milhões de 2012, refere o Financial Times. Apesar de já esperarem um lucro menor, as previsões apresentadas pela Shell surpreenderam negativamente os analistas.

A Shell justifica os lucros abaixo do esperado com a redução da refinação, com os custos de exploração mais elevados, menores volumes de produção que o estimado e problemas de segurança com as plataformas instaladas na Nigéria.

De acordo com a petrolífera, os lucros do quarto trimestre foram afectados pelas “condições de refinaria significativamente mais fracas” da indústria, em particular na região da Ásia-Pacífico. Os executivos da Shell indicam que a petrolífera está a perder cerca de €3,69 por cada barril que refina em Singapura.

A sabotagem e o roubo galopante de petróleo na Nigéria é outra das justificações que a petrolífera apresenta aos investidores, às quais acrescenta maiores custos de exploração e o fecho de poços de petróleo que secaram na região da Guiana francesa.

A somar aos problemas de exploração da petrolífera estão ainda €516,7 milhões em imparidades de exploração e produção. Também a desvalorização das divisas estrangeiras deverão contribuir para os lucros abaixo do estimado, nomeadamente o dólar australiano.

A falha consecutiva de lucros nos quatro trimestres de 2013 e os receios acerca da alocação de capital reflectiram-se na cotação bolsista da petrolífera, já que a performance das suas acções ficou 6% abaixo dos títulos das principais cotadas do sector.

Foto:  Gerard Stolk (vers la Chandeleur ) / Creative Commons

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