Tartaruga-gigante-de-aldabra: Cientistas traçam primeira sequenciação genómica de alta qualidade para ajudar a proteger esta espécie ameaçada



A tartaruga-gigante-de-aldabra (Aldabrachelys gigantea) é uma das únicas duas espécies de tartarugas gigantes que restam em todo o mundo, e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) considera-a vulnerável, devido à sua distribuição limitada e às alterações climáticas. Mas os cientistas querem reverter esse quadro e ajudar na conservação da espécie.

“À medida que as atividades humanas estão a colocar o planeta numa rota que nos levará à sexta extinção em massa, tecnologias genómicas são uma ferramenta importante para os investigadores da conservação”, explicam os cientistas da Suíça e das Seicheles, que assinaram um estudo publicado hoje na revista ‘GigaScience’.

Créditos: © seasav
Fonte: iNaturalist

Para eles, “o estabelecimento de genomas de referência de qualidade para espécies ameaçadas gera contribuições essenciais para o estudo de problemas de saúde genéticos comuns”, salientando que “os recursos genéticos da A. gigantea são escassos, impedindo os esforços de conservação para populações selvagens e também ex situ [por exemplo, em jardins zoológicos ou centros de conservação]”.

Através deste estudo, os cientistas declaram que conseguiram alcançar “um dos mais completos genomas de tartarugas disponíveis” atualmente, e esse mapeamento genómico permitirá “avaliar a estrutura populacional da população selvagem e revelar as origens geográficas de indivíduos ex situ relevantes para a gestão da diversidade genética e para os esforços de renaturalização”.

Gözde Çilingir, uma das investigadoras da Universidade de Zurique e principal autora do estudo, afirma que um “genoma de referência de alta qualidade é altamente importante para os projetos de conservação da espécie e para algumas questões relacionadas para Biologia Evolucionária”.

Endémica do atol de Aldabra, no Oceano Índico ocidental, a noroeste de Madagáscar, a A. gigantea pode pesar mais de 300 quilogramas e viver até 250 anos, e o seu genoma pode esconder os segredos para a sua grande longevidade e para o seu gigantismo.

Çilingir detalha que a tartaruga-gigante-de-aldabra tem desempenhado um papel central em programas de renaturalização nas ilhas do Índico ocidental, ajudando a “ressuscitar ecossistemas degradados”, como verdadeiros ‘engenheiros dos ecossistemas’.

“Para estes projetos de renaturalização, é muito importante assegurar que as populações renaturalizadas tenham a maior diversidade genética possível”, refere, para que se possam adaptar da melhor forma aos seus novos ambientes.

Ecoando as palavras de Çilingir, o estudo avança que a “A. gigantea tem sido usada com sucesso em projetos de renaturalização em várias ilhas do Oceano Índico ocidental [como nas Maurícias], cujas espécies de tartarugas gigantes endémicas estão agora extintas” e que servem de “substitutos ecológicos”, restaurando a flora local, bem como as populações de fungos.

“Monitorizar a eficácia desses projetos de renaturalização será crucial para catalisar projetos ainda maiores em Madagáscar”, é afirmado no estudo.

Os cientistas contam que “compreender os níveis de diversidade genómica em populações nativas e ex situ é crucial para informar os esforços de renaturalização e priorizar esforços de conservação” destes répteis herbívoros gigantes.



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