Uma praia de areia verde? Conheça o novo processo para combater as alterações climáticas

Numa praia das Caraíbas, uma organização sem fins lucrativos chamada Projeto Vesta começara em breve a testar uma nova forma radical de combater as mudanças climáticas, que envolve espalhar olivina moída – um mineral verde barato – sobre a areia, e a sua interação com as ondas do mar ajudarão a extrair o CO2 do ar. “A nossa visão é ajudar a reverter as mudanças climáticas, transformando triliões de toneladas de dióxido de carbono em rocha”, diz Tom Green, diretor executivo do Projeto Vesta, em declarações à revista Fast Company.

O objetivo é acelerar um processo natural que normalmente ocorre muito lentamente, ao longo de milhares de anos. “Quando a chuva cai sobre rochas vulcânicas, essas rochas dissolvem-se e desencadeiam uma reação química que puxa o dióxido de carbono para fora da atmosfera e entra na água como uma molécula chamada bicarbonato”, explica Green. Ao moer a olivina e depois espalhá-la nas praias onde as ondas do Oceano a podem dissolver, desencadeia a mesma reação química que retira o CO2 do ar. Na água, os organismos marinhos usam o bicarbonato para construir conchas e, eventualmente, acabam também como calcário no fundo dos Oceanos.

Estudos anteriores demonstram que o processo poderá funcionar, mas até agora ninguém tentou realmente fazê-lo nas praias. “Cerca de 30 anos de pesquisa científica foram dedicados a isso, incluindo muito trabalho teórico, muitas experiências em laboratório”, diz Green. “Agora precisamos de provar que isto realmente funciona na Natureza”, acrescenta diretor executivo do Projeto Vesta.

Existem potenciais desafios ecológicos que podem surgir ao espalhar um mineral nas praias onde ele não existe naturalmente. Alguns críticos levantam a possibilidade de a olivina libertar metais pesados ​​como o níquel. No entanto,  o projeto piloto inicial monitorizará de perto as concentrações de metais na água, areia e organismos marinhos. É também possível que este processo possa beneficiar a vida marinha porque ajuda a combater a acidificação dos oceanos.

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