Ursos-polares de Svalbard mostram resiliência inesperada apesar da perda acelerada de gelo marinho (vídeo)

Os resultados mostram que, apesar de a região do mar de Barents ter perdido gelo marinho a um ritmo particularmente elevado — com um aumento de cerca de 100 dias sem gelo ao longo de 27 anos —, a condição física média dos ursos melhorou a partir do início dos anos 2000.

Green Savers Redação

A população de ursos-polares do arquipélago norueguês de Svalbard tem mantido uma condição física estável — e até melhorada — nas últimas duas décadas, contrariando a tendência observada noutras regiões do Árctico. A conclusão é de um estudo agora publicado na revista científica Scientific Reports, que analisou dados recolhidos entre 1992 e 2019.

Os investigadores avaliaram mais de 1.100 registos de medições corporais de cerca de 770 ursos-polares adultos, usando um índice de composição corporal que estima as reservas de gordura e o estado geral dos animais. Os resultados mostram que, apesar de a região do mar de Barents ter perdido gelo marinho a um ritmo particularmente elevado — com um aumento de cerca de 100 dias sem gelo ao longo de 27 anos —, a condição física média dos ursos melhorou a partir do início dos anos 2000.

Este resultado é surpreendente, sobretudo porque Svalbard perdeu gelo marinho a mais do dobro da velocidade registada noutras áreas habitadas por ursos-polares. Em grande parte do Árctico, a redução do gelo tem sido associada ao declínio das populações e ao agravamento do estado físico destes animais, fortemente dependentes do gelo para caçar.

Os autores do estudo apontam várias hipóteses para explicar esta resiliência. Uma delas é a recuperação de presas terrestres anteriormente sobreexploradas pelo ser humano, como as renas e as morsas, que passaram a estar mais disponíveis. Outra possibilidade é que, em anos com menos gelo, focas-anilhadas — uma das principais presas dos ursos-polares — se concentrem em áreas mais reduzidas, tornando a caça mais eficiente.

Apesar dos dados positivos, os investigadores alertam que este cenário pode não se manter. A continuação da perda de gelo marinho poderá obrigar os ursos a percorrer distâncias maiores para aceder a zonas de caça, um fenómeno já observado noutras populações do Árctico, com impactos negativos conhecidos.

O estudo sublinha, por isso, a importância de não assumir que todas as populações animais responderão da mesma forma às alterações climáticas, ao mesmo tempo que reforça a necessidade de mais investigação para compreender como diferentes grupos de ursos-polares poderão adaptar-se a um Árctico cada vez mais quente.

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