Vikings levaram nos seus barcos cavalos e cães quando invadiram as ilhas britânicas



Quando ouvimos falar em vikings não podemos evitar pensar em hordas de guerreiros indómitos com machados em riste e capacetes ornados com chifres. Essa não é uma imagem irreal, pois relatos históricos dizem-nos que eram um povo de conquistadores.

No entanto, uma recente investigação arqueológica revelou que os vikings, quando atravessaram o Mar do Norte desde a Escandinávia até às ilhas britânicas, levaram com eles cavalos e cães nos seus barcos, refutando a ideia, até aqui mantida, de que os animais detidos por esses grupos tinham sido exclusivamente obtidos através da caça e do furto na Grã-Bretanha.

A conclusão resultou da análise de restos humanos e animais encontrados numa escavação feita na região de Derbyshire, em Inglaterra, entre 1998 e 2000, e que é o único cemitério viking de cremação que se conhece até agora na Grã-Bretanha. Calcula-se que os restos mortais encontrados nesse local pertençam a vikings que chegaram às ilhas britânicas por volta do ano 865.

Ossos de animais e de humanos cremados encontrados em cemitério viking, no Reino Unido.
Crédito: Julian Richards / University of York

O trabalho, publicado na revista ‘PLOS One’, envolveu a medição de isótopos de estrôncio nos restos mortais de dois adultos, uma criança e três animais, um elemento que ocorre naturalmente e que se encontra em rochas, no solo e na água e que, por essas vias, acaba por ser também encontrado em plantas. Os cientistas dizem que quando humanos e animais ingerem essas plantas, o estrôncio substitui o cálcio nos dentes e nos seus ossos.

Por isso, esse elemento ajuda os arqueólogos a determinarem a origem dessas pessoas e desses animais, e a equipa crê que os animais encontrados e pelo menos um dos adultos tenham chegado às ilhas britânicas vindos da Escandinávia, tendo morrido pouco depois.

Os resultados levam os investigadores a considerar que os vikings não se limitavam a capturar animais no novo território, tendo mesmo trazido com eles alguns. E suspeitam que esse humano tenha sido alguém de grande importância, uma vez que pôde levar com ele um cavalo e um cão.

Julian Richards, da Universidade de York e um dos arqueólogos envolvidos nesta investigação, explica que “isto mostra que os líderes vikings valorizavam os seus próprios cavalos e cães”, uma vez que os levaram com eles para a Grã-Bretanha. Esses animais terão sido sacrificados na altura da morte do líder viking para que fossem enterrados juntos.

Além dos restos mortais de um cavalo e de um cão encontrados no cemitério de cremação viking, os investigadores encontraram também vestígios do que acreditam ter sido um porco. No entanto, consideram que esse vestígio terá sido levado da Escandinávia para a Grã-Bretanha como um objeto espiritual, como um talismã, e que não terá pertencido a um porco caçado em solo britânico.





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