Viseu: Reintrodução do corço equilibra dieta dos lobos de Montemuro

De forma a que os lobos deixem de atacar animais domésticos, está a ser estudada a possibilidade de reintroduzir uma das suas presas naturais no seu habitat, evitando também conflitos com a população.

Green Savers

O corço, mais conhecido por bambi, está a ser reintroduzido na Serra do Montemuro, no distrito de Viseu, para que seja restaurado o equilíbrio ecológico. Assim, as alcateias de Montemuro, Gralheira, Arada e Freita deixarão de alimentar-se de animais domésticos, uma vez que aquele cervídeo é uma das principais presas naturais dos lobos.

O projecto, da Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico (ACHLI), tem ainda como objectivo evitar os conflitos entre o lobo e a população, que normalmente se revolta depois de um ataque a animais domésticos e tem dificuldade em compreender que se trata de uma espécie protegida. Actualmente, o lobo depende muito dos rebanhos para sobreviver, uma vez que tem poucas presas naturais à sua disposição, como o javali, por exemplo.

Carlos Fonseca, do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, um dos parceiros do projecto, foi um dos responsáveis pelo sucesso da reintrodução do corço na Serra da Lousã, há mais de uma década. O plano “não pode ser encarado com simplicidade”, porque pode correr mal. Em Montemuro, estão a avaliar as áreas de maior potencial para que o corço, que ali habitou até há cerca de 200 anos, se volte a adaptar. Os animais estão actualmente dentro de um cercado, em fase de testes, segundo um comunicado enviado à agência Lusa.

O corço é tímido, ao contrário do veado ou do gama, e o mais esquivo de todos os cervídeos, pelo que é muito difícil observá-lo na natureza. A população deve estar também alertada para estas características, de modo a não prejudicar a sua adaptação.

A ACHLI é financiada por empresas de energia eólica, que estão obrigadas a contribuir para um fundo destinado à preservação do lobo, uma vez que instalam os seus parques eólicos em áreas importantes para as alcateias. O projecto de reintrodução do corço tem ainda o apoio da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, das autarquias e associações de caçadores da região.

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