Volkswagen: marca usou macacos como cobaias em testes laboratoriais

A noticia está a ser avançada pelo The New York Times e está a gerar uma imensa controvérsia: dez macacos foram usados como cobaias num “estudo” financiado por algumas das maiores empresas automóveis, caso da Volkswagen, Daimler e BMW. Os animais foram expostos deliberadamente a fumos tóxicos de motores a diesel de automóveis.

O “estudo” que está a chocar o mundo aconteceu num laboratório em Albuquerque, EUA, corria o ano de 2014 e tinha como objectivo provar que os veículos a gasóleo equipados com a tecnologia de detecção de emissão de gases poluentes eram mais limpos que os modelos anteriores.

Os detalhes agora conhecidos da macabra experiência mostram que os animais foram divididos em dois grupos. Enquanto um grupo estava exposto aos gases libertados por um modelo diesel de última geração da Volkswagen, o outro grupo inalava as emissões libertadas por uma velha carrinha Ford Diesel. Uma tortura que se estendeu ao longo de quatro horas.

Várias associações de defesa animal já vieram a público condenar veemente esta situação. “Não há nada de justo em condenar estes animais, seres altamente sensíveis e complexos, a tamanho sofrimento físico e psicológico em laboratórios onde estavam aprisionados, privados de ar puro, liberdade e movimento”, lamentou Harald Ullmann, vice-presidente da PETA, numa carta enviada Matthias Müller, responsável máximo da Volkswagen.

Entretanto, a Volkswagen já veio condenar o teste, ao afirmar que “os métodos científicos usados na condução deste estudo foram os errados. Testes laboratoriais usando animais como cobaias é francamente contra a política da nossa empresa.”. Em comunicado, a gigante alemã lamenta o “comportamento inapropriado” e o “fraco julgamento de todos os que estiveram envolvidos nesta situação.”

O caso agora divulgado vem intensificar a onda de críticas à indústria automóvel, mergulhada em inúmeros escândalos nos últimos anos. “É urgente uma análise à industria automóvel e aos seus lobbies, por mais doloroso que isso possa ser”, pode ler-se num editorial do Stuttgarter Zeitung, jornal alemão na edição de domingo.

Foto: Miron Gontarek / flickr