Washington põe fim ao bloqueio à Etiópia decidido por Trump por causa da barragem

Os Estados Unidos afirmaram esta sexta-feira que vão levantar a suspensão da ajuda à Etiópia, determinada pela administração Trump por causa da controversa barragem de Adis Abeba, e apelaram a uma solução diplomática envolvendo o Egito e o Sudão.

A administração Trump tinha anunciado em setembro que iria suspender 272 milhões de dólares de ajuda à Etiópia, acusada de intransigência durante as conversações sobre a barragem etíope Grand Renaissance (GERD) sob a égide de Washington, que fracassaram.

A administração de Joe Biden está a reconsiderar a sua posição sobre o projeto, considerado pelo Egito e pelo Sudão como uma ameaça, mas indicou que já não condiciona a sua ajuda pública ao projeto.

“Os Estados Unidos decidiram deixar de associar a suspensão de ajudas à Etiópia à posição americana sobre a barragem etíope”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

“Continuamos a apoiar os esforços colaborativos e construtivos da Etiópia, Egipto e Sudão para chegar a um acordo” sobre a barragem, acrescentou.

Addis Abeba acredita que o GERD é essencial para o seu desenvolvimento económico e eletrificação, enquanto Khartoum e Cairo estão preocupados com o facto de a barragem hidroelétrica de 145 metros de altura, prestes a tornar-se a maior de África, vir a restringir o seu acesso à água.

O Egito depende 97% do Nilo para o seu abastecimento de água. O Sudão também está altamente dependente do rio e voltou a consultar o seu embaixador na Etiópia, na quarta-feira, à medida que as tensões se intensificavam.

Ned Price disse também que o reinício da ajuda estará condicionado a outros fatores não especificados, mas que a ajuda humanitária está isenta.

Tanto as administrações de Joe Biden como de Donald Trump expressaram preocupação com a situação humanitária em Tigré (Etiópia), onde o primeiro-ministro Abiy Ahmed lançou uma ofensiva em novembro. Segundo o Grupo Internacional de Crise, o conflito resultou em milhares de mortos e dezenas de milhares de refugiados em fuga para o vizinho Sudão.

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