ZERO denuncia situação vulnerável das aves estepárias em Portugal



Na última década, as populações de Abetarda (Otis tarda), de Águia-caçadeira (Circus pygargus) e de Sisão (Tetrax tetrax), diminuíram drasticamente em todo o país. Atualmente, observa-se uma diminuição de, respetivamente, 50%, 76% e 49% das populações.

As informações são divulgadas pela ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, que tendo em conta o facto das mesmas serem protegidas por lei, decidiu apresentar uma queixa à Comissão Europeia por violação da Diretiva Aves, e pela má gestão dos fundos europeus destinados à agricultura. A associação refere ainda que o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum 2023-2027 (PEPAC), ainda em avaliação pela Comissão, “insiste nos mesmos erros graves já identificados”, sendo necessário proceder-se a alterações que garantam a proteção destas aves.

Para a ZERO, a situação grave em que se encontram as populações destas aves estepárias justifica-se pelas áreas reduzidas das Zonas de Proteção Especial (ZPE), pela falta de planos de gestão aplicados às mesmas, pela fraca eficiência dos apoios dados aos agricultores para as proteger, pelos reduzidos apoios por hectare, pela “intensificação agrícola de génese ilegal associadas ao regadio que alteraram o uso do solo em quase todas as ZPE”, e pelo desajuste das datas de corte das culturas forrageiras para com o ciclo de reprodução das espécies.

“Em primeiro lugar, há que repensar os montantes dos apoios aos agricultores com atividade agrícola situada nas ZPE Estepárias, para que os mesmos sejam adequada e justamente compensados por custos adicionais, custos de oportunidade e por perdas de rendimento pela adesão aos apoios zonais destinados à manutenção da rotação de sequeiro cereal-pousio”, explicam os especialistas, acrescentando que “Desta forma, tornar-se-ia a produção de cereais praganosos e de leguminosas no interior das ZPE não só como uma atividade competitiva face à produção de gado, como também inibidora de pressões no sentido da intensificação agrícola.”



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