Investigadores portugueses testam sistema de captura e conservação de espécies marinhas de profundidade



Uma equipa de investigadores portugueses desenvolveu um sistema de captura e conservação de espécies marinhas até 1000 metros de profundidade. Através desta solução, os cientistas vão conseguir trazer as espécies até à superfície, sem provocar danos pelas diferenças de pressão, e mantê-las vivas para estudos posteriores.

A campanha de testes inicia este sábado, dia 23 de abril, e decorre até 2 de maio, a bordo do Navio de Investigação Mário Ruivo. A demonstração será ao largo da costa sudoeste do país.

“Através deste projeto desenvolvemos um sistema de recolha e manutenção, em cativeiro, que permitirá o aumento do conhecimento do ciclo de vida e da biologia de animais marinhos de profundidade. Esta campanha destina-se a testar a capacidade de capturar organismos vivos no solo marinho e na coluna de água a diferentes profundidades, até um máximo de 1000 metros, a sua transferência para uma câmara hiperbárica à superfície e a sua manutenção em boas condições fisiológicas”, explica Antonina dos Santos, investigadora do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) responsável pela campanha.

O sistema foi desenvolvido no âmbito do projeto “HIPERSEA – Sistema Hiperbárico para Recolha e Manutenção de Organismos do Mar Profundo” (POCI-01-0247-FEDER-033889), financiado pelo programa COMPETE 2020 em aproximadamente 3 milhões de euros.

“O conhecimento das espécies do mar profundo é ainda incipiente. Contudo, os primeiros programas de investigação focados nestes recursos mostraram que estes organismos marinhos poderão ter um grande potencial de utilização, pelas indústrias farmacêutica e alimentar”, refere Diana Viegas, investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC).

Este estudo engloba investigadores ligados à A. Silva Matos Metalomecânica, ao Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), ao Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e ao Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).



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