74% das roupas vendidas pela Primark já são fabricadas com materiais reciclados ou de origem mais sustentável



A Primark divulgou esta quinta-feira,em comunicado, o seu quarto Relatório de Progresso sobre Ética e Sustentabilidade, onde apresenta avanços “significativos” na implementação da estratégia Primark Cares e do programa de Comércio Ético. A empresa reforça o compromisso com a economia circular, o prolongamento da vida útil das peças e a redução das emissões ao longo da cadeia de valor.

Segundo os novos dados, 74% das roupas vendidas pela marca já são fabricadas com materiais reciclados ou de origem mais sustentável — um aumento face aos 66% registados no ano anterior. Paralelamente, 57% das peças incluem algodão orgânico, reciclado ou proveniente do Projeto de Algodão da Primark, o programa de formação destinado a produtores da sua cadeia de abastecimento.

A empresa sublinha também o progresso na integração de princípios de design circular. Uma em cada 20 peças é agora concebida para facilitar a reciclagem no final da vida útil, percentagem que sobe para 20% no caso das malhas e para 8% na ganga. Algumas peças das coleções de outono/inverno foram mesmo desenvolvidas sem elastano ou rebites metálicos, com o objetivo de simplificar o processo de reciclagem.

A durabilidade é outro dos pilares destacados no relatório. No primeiro ano completo de testes realizados a peças de ganga, meias e malhas, avaliadas segundo o Quadro de Durabilidade da Primark, 77% das peças de ganga e malhas, e 69% das meias, atingiram o nível “Aspiracional”, mantendo a qualidade após 45 lavagens. Estes resultados estão a contribuir para o diálogo com decisores políticos europeus numa altura em que avança a nova legislação sobre reparação e durabilidade têxtil.

No capítulo da rastreabilidade, a empresa anuncia ter atingido 100% de adesão ao seu programa, abrangendo todos os fornecedores de vestuário, têxteis e calçado.

Redução de emissões e maior eficiência na cadeia de valor

A Primark indica que conseguiu reduzir em 5,7% as emissões totais de gases com efeito de estufa em comparação com o ano base de 2019. Nas emissões de Scope 1 e 2, a redução chega aos 71%, enquanto as de Scope 3 diminuíram 4%. A marca destaca ainda que 19% do transporte marítimo já utiliza misturas de biocombustível e que 98% das viagens entre portos e centros de distribuição recorrem a combustíveis de baixo carbono.

Nos países produtores, 97 fábricas de Bangladesh, China e Índia foram integradas no programa de eficiência de recursos da empresa, destinado a reduzir consumos de energia, água e produtos químicos, assim como emissões e custos. Mais de 90% dos agricultores do Projeto de Algodão da Primark adotaram pelo menos duas práticas agrícolas regenerativas em 30% das suas terras.

Bem-estar dos trabalhadores e impacto social

No âmbito dos programas de apoio a trabalhadores da cadeia de abastecimento, a Primark refere ter formado cerca de 1.400 colaboradores em práticas de compra responsáveis. Quatro iniciativas focadas na saúde física e mental alcançaram mais de 300 fábricas.

O mecanismo de denúncia Tell Us, financiado pela empresa, foi alargado à maioria dos países de origem, abrangendo bens de revenda e não revenda. A parceria com a Vision Spring permitiu realizar 35 mil testes de visão em 16 fábricas, disponibilizando óculos a cerca de 13 mil funcionários.

Compromisso com acessibilidade e comunidades

A Primark lançou ainda uma coleção de roupa adaptada, com 49 peças desenvolvidas em colaboração com a designer Victoria Jenkins, distribuída em 10 mercados. A empresa doou mais de 3 milhões de euros a instituições de solidariedade social e parceiros comunitários, enquanto campanhas com clientes angariaram mais de 1,9 milhões. As iniciativas incluem parcerias com organizações como a Breast Cancer Now, UNICEF, UK Youth e Irish Cancer Society.

Quase 700 colaboradores participam atualmente nas redes globais internas dedicadas à inclusão, como os grupos LGBTQIA+ e de Deficiência e Neurodiversidade, presentes em 17 mercados.

Lynne Walker, directora da Primark Cares, sublinha que os resultados demonstram que “não é preciso escolher entre sustentabilidade e preço”. Para a responsável, a empresa está a aproveitar a sua escala “para gerar mudanças significativas”, reconhecendo, no entanto, que há “sempre mais a fazer”. A marca encontra-se a rever a estratégia de sustentabilidade para a alinhar com a evolução legislativa e com as novas expectativas dos consumidores, sendo esperadas novidades ao longo do próximo ano.






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