Incêndios: Publicado guia para envolver agentes e cidadãos na gestão das florestas

Um guia para envolver agentes e cidadãos na gestão da floresta foi publicado no âmbito de uma investigação desenvolvida na sequência dos incêndios de outubro de 2017 em matas do litoral.

Green Savers com Lusa

Um guia para envolver agentes e cidadãos na gestão da floresta foi publicado no âmbito de uma investigação desenvolvida na sequência dos incêndios de outubro de 2017 em matas do litoral.

O “Manual de Metodologias Participativas – Um guia para o envolvimento de agentes na gestão da floresta” resulta do projeto ‘ShareFOREST’, iniciado em março de 2021 e terminado em novembro último.

O projeto foi liderado por Elisabete Figueiredo, docente da Universidade de Aveiro, e coliderado por Eduarda Fernandes, professora do Politécnico de Leiria.

Numa resposta escrita enviada à Lusa, as investigadoras explicaram que o manual “pretende ilustrar como atividades, ferramentas e recursos relativamente simples e acessíveis para o envolvimento do público podem ser usadas com vantagem, não apenas no âmbito da promoção de uma maior participação e envolvimento nas decisões das florestas públicas”, como, com as necessárias adaptações, “nas decisões relativas à gestão da floresta privada e comunitária”.

Para tal, “são fundamentais o tempo de implementação e monitorização da metodologia, o desenho de tarefas de promoção de uma maior mobilização dos agentes e cidadãos e, naturalmente, vontade política e das entidades responsáveis pela gestão das florestas”, adiantaram.

Na investigação foram consideradas sete matas do litoral afetadas pelos fogos: as matas nacionais de Leiria, do Urso, do Pedrógão, das dunas de Quiaios e de Vagos, e os perímetros florestais das dunas e pinhais de Mira e o das dunas de Cantanhede.

Segundo Elisabete Figueiredo e Eduarda Fernandes, o objetivo do projeto ‘ShareFOREST’ não foi propor um modelo de governação alternativo ao existente, mas “integrar nesse modelo de gestão a participação e o envolvimento de cidadãos e agentes, por forma a que a mesma gestão e ordenamento integre e reflita os vários interesses, necessidades e expectativas”.

Para as docentes, o envolvimento e participação aumentam “o diálogo, a capacidade de negociação e priorização, a geração de consensos, assim como a legitimação social das medidas e planos adotados”, e evitam conflitos.

“Basicamente, tratou-se de propor que, em vez da atual consulta pública – pontual e realizada apenas na fase terminal das decisões e planos –, se possa adotar um modelo de participação e envolvimento que o seja de facto, tanto em termos do processo (desde o início) como em termos dos seus resultados, quer para as entidades gestoras, quer para os agentes e cidadãos”, sustentaram.

A participação defendida pelas investigadoras no âmbito do ‘ShareFOREST’ é um “envolvimento efetivo das partes, ou seja, que ultrapassa a mera consulta pública ou transmissão de informação, mas que se possa prolongar ao longo de todos os processos e cujos resultados sejam fruto da partilha e codecisão”.

Este projeto foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. A organização não-governamental de defesa do ambiente Oikos, sediada em Leiria, foi parceira.

Os incêndios de outubro de 2017 na região Centro provocaram 49 mortos e cerca de 70 feridos, registando-se ainda a destruição, total ou parcial, de cerca de 1.500 casas e mais de 500 empresas.

Mais de 80% da Mata Nacional de Leiria, que tem 11.062 hectares e ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande, ardeu nestes fogos.

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