Dependência dos combustíveis fósseis está “a minar a segurança nacional e a soberania”, avisa chefe climático das Nações Unidas

O aviso é feito esta segunda-feira por Simon Stiell, secretário-executivo da convenção das Nações Unidas sobre as alterações climáticas (UNFCCC), no âmbito da Cimeira do Crescimento Verde, que decorre hoje em Bruxelas.

Redação

A dependência dos países do mundo face aos combustíveis fósseis está “a minar a segurança nacional e a soberania” e a substituí-las por “subserviência e custos mais elevados”.

O aviso é feito esta segunda-feira por Simon Stiell, secretário-executivo da convenção das Nações Unidas sobre as alterações climáticas (UNFCCC), no âmbito da Cimeira do Crescimento Verde, que decorre hoje em Bruxelas.

No discurso partilhado pela UNFCCC antes da intervenção que o seu responsável fará ao final da manhã, Stiell diz que a Europa é das grandes economias que mais depende de combustíveis fósseis importados. Em 2024, aponta, essas importações custaram aos europeus mais de 420 mil milhões de euros.

“A dependência dos combustíveis fósseis significa que as economias, os orçamentos das famílias e os resultados financeiros das empresas estão à mercê de choques geopolíticos e da volatilidade de preço num mundo caótico”, salienta Stiell.

O responsável afirma que a guerra no Médio Oriente está a fazer disparar os preços do petróleo e do gás, tal como já tinha acontecido com a guerra na Ucrânia, e avisa que aprofundar a dependência da energia fóssil não é a resposta à crise. A resposta está nas renováveis.

No que pode ser lido como uma mensagem enviada ao governo dos Estados Unidos da América, que tem lutado fortemente contra a expansão das energias renováveis no país e em prol dos combustíveis fósseis, Stiell refere é “completamente delirante” achar que desacelerar a transição energética é a resposta.

“Porque a Histórias diz-nos que esta crise dos combustíveis fósseis repetir-se-á vezes sem conta”, aponta, especialmente “nesta nova desordem mundial, em que algumas grandes potências fazem o que bem entendem, sem se deixarem limitar pela lógica económica ou por atuais alianças”.

Aos representantes dos governos europeus, Stiell diz que a resposta está nas energias renováveis, especialmente porque, e numa clara alusão à turbulência que assola o Estreito de Ormuz, “a luz solar não depende de estreitos marítimos apertados e vulneráveis” e “o vento sopra sem ser preciso grandes escoltas navais financiadas pelos contribuintes”.

Para o secretário executivo da UNFCCC, as renováveis permitem aos países proteger-se de convulsões globais e continuar a dar resposta às principais prioridades dos europeus, como segurança, saúde, emprego e alívio do custo de vida.

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