Loulé dedica os três dias de Carnaval à seca e investe 470 mil euros

Quinze carros alegóricos e 600 figurantes vão animar os três dias de desfile do Carnaval de Loulé, entre domingo e terça-feira, este ano dedicado à seca e com um investimento de 470 mil euros, foi ontem divulgado.
Sob o mote “O Carnaval não é uma seca…”, o corso algarvio constitui “uma forma mais acessível, mais popular, de sensibilizar as pessoas, ainda que em festa e em ambiente de folia, para a seca e os problemas que daí podem advir para todos nós”, disse o presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo.
“É um Carnaval que, mais uma vez, volta a estar concentrado nas temáticas ambientais e tem essa particularidade de tornar assuntos sérios objeto de brincadeira. Ou seja, vamos brincar com coisas sérias”, sublinhou o presidente daquele município do distrito de Faro, em conferência de imprensa realizada no armazém onde o desfile é preparado.
Os problemas de falta de água na região algarvia inspiram vários carros alegóricos, com destaque para aquele que transporta a aguardada dessalinizadora, “a geringonça que vai fazer água”, e para outro que versa sobre a proliferação de abacateiros, associados ao excessivo consumo de água.
Os ‘bonecos’ do ministro da Agricultura e do Zé Povinho, que protege as suas alfarrobeiras e amendoeiras, são usados com a promessa de “cada gota de água ser usada com inteligência”, e são ainda focadas as belezas naturais e ambientais do concelho.
A sátira prolonga-se aos meios políticos e desportivos, com carros dedicados às próximas eleições presidenciais, com as figuras de Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes e Gouveia e Melo, e à presença de António Costa como novo homem forte do Conselho Europeu.
O novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e suas “medidas anti-imigração” são o alvo no carro “no país da trumpalhada”, enquanto Cristiano Ronaldo volta ao corso vestido com as cores (amarelo e azul) do clube local Campinense, as mesmas do seu atual emblema, os sauditas do Al Nassr.
No total, são 15 carros alegóricos e cerca de 600 animadores, com escolas de samba, grupos de animação, cabeçudos e gigantones, que animam os três desfiles, entre 02 e 04 março.
Segundo o autarca de Loulé, são esperadas cerca de 30 mil pessoas por dia, a lotação máxima do recinto fechado na avenida José da Costa Mealha, no centro da cidade, estando disponíveis nove parques de estacionamento para os espetadores.
“Esperamos a afluência máxima. Este Carnaval levou mais de dois meses a preparar, com carros muito bonitos, e temos a legítima expectativa de ter cá os habituais foliões que todos os anos se deslocam de norte e sul do país, e do estrangeiro também”, afirmou Vítor Aleixo.
O orçamento do Carnaval de Loulé será de 470 mil euros, valor muito semelhante ao do ano passado.
Está também disponível uma loja com cerca de 400 fatos e fantasias, que podem ser alugados temporariamente.
Os bilhetes para os desfiles, que acontecem, nos três dias, entre as 15:00 e as 18:00, têm um custo de dois euros.
As receitas serão atribuídas a causas sociais e aos grupos de figurantes, que representam coletividades locais. Em 2024, foram arrecadados pela autarquia quase 50 mil euros, atribuídos a quatro instituições de solidariedade social sorteadas e a dez coletividades.
O programa de Carnaval em Loulé, que arrancou hoje com três mil crianças no habitual desfile infantil na sede de concelho, conta ainda com o tradicional baile de gala, na noite de segunda-feira.