Cria de leão resgatada de cativeiro ilegal na República Checa realojada em santuário de felídeos

Mero, uma cria de leão com 10 meses de idade, está agora a viver no santuário de grandes felídeos da organização Four Paws, nos Países Baixos. O realojamento decorreu no passado dia 30 de julho, depois de ter passado vários meses ao cuidado temporário do Zoo Hodonin, na República Checa.

Filipe Pimentel Rações

Mero, uma cria de leão com 10 meses de idade, está agora a viver no santuário de grandes felídeos da organização Four Paws, nos Países Baixos. O realojamento decorreu no passado dia 30 de julho, depois de ter passado vários meses ao cuidado temporário do Zoo Hodonin, na República Checa.

Era nesse país que o jovem macho esteva a ser mantido em cativeiro ilegal, embora não se saiba ao certo durante quanto tempo, por um particular, tendo sido confiscado em março deste ano pelas autoridades checas.

Em comunicado enviado à ‘Green Savers’, a Four Paws indica que, depois de uma viagem de mais de mil quilómetros até ao seu santuário Felida, Mero já foi colocado nas suas novas instalações, “onde terá o tempo necessário para se sentir confortável no novo ambiente, para construir uma relação de confiança com os seus cuidadores e para receber os cuidados necessários para se tornar um leão confiante”.

Mero a ser transportado do Zoo Hodonin, na República Checa, onde esteve alojado temporariamente, para o santuário de felídeos da Four Paws. Foto: FOUR PAWS.

“A jovem cria de leão Mero estão numa fase crucial do seu desenvolvimento”, diz, em nota, Juno van Zon, responsável pela gestão de animais e das instalações do santuário Felida. “Receber os cuidados apropriados é agora extremamente importante para limitar futuros problemas de saúde e mentais”, salienta.

A organização internacional alerta que Mero será apenas um de muitos casos de cativeiro ilegal de grandes felídeos que ocorrem neste momento por toda a Europa, vivendo “como animais de estimação exóticos em condições inadequadas”.

Segundo a Four Paws, “reproduzir, comercializar e manter animais selvagens é uma indústria lucrativa e global da ordem dos milhares de milhões de dólares que lucra com a exploração dos animais e de regulamentos fracos”. No caso da República Checa, diz que, apesar de o país estar dotado de regras apertadas no que toca à detenção de animais selvagens por particulares, sendo exigidas autorizações específicas por parte das autoridades veterinárias nacionais, o problema persiste.

“Temos pouca informação sobre a origem da cria de leão. Mas o que sabemos é que não há qualquer valor de conservação em particulares manterem grandes felídeos em cativeiro, que, na maioria dos casos, passam toda a sua vida em más condições”, afirma Patricia Tiplea, responsável do planeamento de resgates da Four Paws. Embora não haja ainda quaisquer certezas, é provável que Mero tenha nascido em cativeiro ilegal.

“Já resgatámos muitos jovens leões na Europa que eram mantidos em condições inadequadas. Alguns deles estavam a ser mantidos como animais de estimação e até escaparam”, continua, recordando o leão Nikola, capturado em 2022 a deambular pelas ruas de Montenegro, e a leoa Vasylyna, apanhada mais tarde nesse mesmo ano numa aldeia na Ucrânia.

“Esses exemplos mostram que o cativeiro privado desadequado põe tanto os animais como os humanos em risco”, frisa Tiplea, razão pela qual a Four Paws está a pedir às entidades europeias que proíbam a detenção e reprodução por particulares de grandes felídeos em toda a Europa “e no resto do mundo”.

Contactada pela ‘Green Savers’, a Four Paws disse-nos que Mero, por ter passado a sua vida em cativeiro e por ter já 10 meses de idade, não poderá ser reintroduzido na Natureza, uma vez que não tem as capacidades necessárias para sobreviver em regime selvagem, pelo que viverá permanentemente no santuário onde agora se encontra.

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