À medida que nós, humanos, vamos expandindo as nossas vilas e cidades, muitas vezes sobrepomos os nossos espaços aos habitats de animais selvagens. Quando isso acontece, os animais podem deslocar-se para outras zonas com condições mais favoráveis ou podem encontrar formas de se adaptarem ao novo cenário.
Pelo mundo fora, os espaços urbanos estão repletos de vida selvagem, mesmo que por vezes não consigamos dar por ela. Esses animais são habitualmente considerados altamente adaptáveis, por terem conseguido moldar as suas vidas e comportamentos a ambientes diferentes daqueles de que são originários.
Um grupo de investigadores, liderado pelo Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva e pela Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, decidiu debruçar-se sobre uma espécie de ave americana que demonstra um alto nível de adaptação aos espaços humanos.
Trata-se de um quíscalo, da espécie Quiscalus mexicanus, nativo da América Central, mas tem vindo a expandir rapidamente a sua área de distribuição ao longo da América do Norte, especialmente nos Estados Unidos da América, desde o final do século XIX.

Num artigo publicado na revista ‘Peer Community Journal’, os cientistas dizem que, entre 1970 e 2019, essa ave tem colonizou mais ambientes urbanos, o que entendem como um sinal do seu “sucesso em ambientes modificados pelos humanos”.
A equipa queria perceber como é que os quíscalos conseguiram expandir-se tão rapidamente. A resposta está na flexibilidade do seu comportamento.
Através de experiências feitas em dois grupos de quíscalos, um no estado norte-americano do Arizona e outro na Califórnia, os cientistas concluíram que essas aves são capazes de modificar o seu comportamento, com base em conhecimento acumulado de experiências passadas, para melhorarem as suas táticas de busca de alimento. Dessa forma, podem prosperar mesmo em ambientes nos quais não evoluíram, algo que não está ao alcance de todos.
“Podemos rir-nos quando vemos aves em parques de estacionamento da comerem restos de batatas fritas, mas, na verdade, nem todas as aves são capazes de alterar os seus comportamentos para tirar partido desses recursos fornecidos pelos humanos”, explica, em comunicado, Kelsey McCune, ornitóloga e uma das principais coautoras do artigo.









