Drones térmicos ajudam a detetar focas presas em lixo marinho

A investigação utilizou drones equipados com câmaras RGB (imagem a cores) e sensores de infravermelhos térmicos para monitorizar colónias de Australian Fur Seal em Seal Rocks, ao largo da Phillip Island.

Redação

Uma equipa de investigadores australianos está a usar drones equipados com câmaras térmicas e de cor para identificar focas presas em detritos marinhos, uma ameaça crescente para a fauna oceânica. O método permite localizar animais feridos ou em risco com maior precisão e com menos perturbação das colónias.

O estudo foi conduzido por cientistas da Monash University em colaboração com a Phillip Island Nature Parks e publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin.

A investigação utilizou drones equipados com câmaras RGB (imagem a cores) e sensores de infravermelhos térmicos para monitorizar colónias de Australian Fur Seal em Seal Rocks, ao largo da Phillip Island.

Durante 54 voos de monitorização, os investigadores conseguiram identificar detritos presos aos animais através de assinaturas térmicas — zonas de temperatura mais elevada associadas a ferimentos ou à pressão causada pelos materiais enrolados no corpo.

Segundo Adam Yaney-Keller, doutorando da universidade e autor principal do estudo, a tecnologia demonstrou que estes sinais de calor podem ser detetados a mais de 50 metros de altitude, permitindo localizar focas presas em lixo marinho sem necessidade de aproximação direta.

Um dos avanços mais importantes foi a capacidade de identificar linhas de pesca muito finas ou transparentes, que muitas vezes passam despercebidas em métodos tradicionais baseados apenas em imagem.

A equipa verificou que 81% das situações de emaranhamento apresentavam anomalias térmicas visíveis, com um nível de concordância de 95% entre os revisores humanos que analisaram as imagens.

Os investigadores sublinham que o problema do emaranhamento afeta muitas espécies marinhas, mas as focas são particularmente úteis como indicadores do impacto do lixo marinho, uma vez que passam parte do tempo em terra e parte no mar.

Além de detetar detritos, a tecnologia revelou outro benefício inesperado: ferimentos como mordidas de tubarão também são visíveis nas imagens térmicas, o que poderá tornar este método útil para programas de monitorização mais amplos da saúde das populações marinhas.

A técnica já começou a ser testada noutros locais. Investigadores aplicaram recentemente o mesmo sistema na Cape Town, em colaboração com o Two Oceans Aquarium, para monitorizar populações de Cape Fur Seal, com resultados semelhantes.

Segundo os cientistas, o uso de drones térmicos poderá tornar-se uma ferramenta importante para detetar rapidamente animais em risco e melhorar as operações de resgate, ao mesmo tempo que permite compreender melhor a dimensão do problema do lixo marinho nos oceanos.

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