Palombar devolve à Natureza 42 tartaranhões-caçadores resgatados da morte certa

Nos dias 30 de julho e 29 de agosto, a organização Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural libertou na Natureza um total de 42 tartaranhões-caçadores (Circus pygargus) que tinham sido resgatadas quando eram crias muito pequenas ou ainda estavam nos ovos.

Filipe Pimentel Rações

Nos dias 30 de julho e 29 de agosto, a organização Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural libertou na Natureza um total de 42 tartaranhões-caçadores (Circus pygargus) que tinham sido resgatadas quando eram crias muito pequenas ou ainda estavam nos ovos.

Em comunicado, os conservacionistas dizem que se as intervenções de resgate “a morte teria sido o seu destino certo devido à ceifa” e que contou com “a colaboração essencial dos agricultores locais”. As pequenas crias e os ovos recolhidos concluíram o seu desenvolvimento no Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (CRAS-HV-UTAD).

Estas crias foram resgatadas quando eram ainda ovos, tendo eclodido e crescido no Centro de Recuperação de Animais Selvagens do Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Foto: UTAD.

A ação, de nome “Salvar o tartaranhão-caçador”, decorreu no âmbito do projeto LIFE SOS Pygargus, de que a Palombar é coordenadora, que arrancou em 2024 e que tem como principal objetivo salvar essa espécie migradora, também conhecida como águia-caçadeira, que em Portugal está classificada como “Em Perigo” de extinção. O projeto abrange também áreas protegidas inseridas na rede europeia Natura 2000 do lado de Espanha, designadamente na Estremadura, na Galiza, em Castela e Leão e em Madrid.

Quando alcançaram uma idade considerada ideal para a libertação no meu habitat natural, as aves foram transferidas para uma estação de aclimatação no Planalto Mirandês, onde, segundo a organização portuguesa, estiveram perto de um mês. Nessas instalações, puderam não só terminar o seu crescimento, mas também aprender “comportamentos vitais para a sua sobrevivência no meio natural”, diz a Palombar, um processo que contou com o auxílio de dois tartaranhões-caçadores “tutores” que ensinaram as jovens aves “a caçar para se alimentar, identificar perigos e interagir com o meio e outros indivíduos”.

Juvenis na estação de aclimatação no Planalto Mirandês. Foto: Uliana de Castro/Palombar.

As devoluções à Natureza aconteceram na região Norte, o território histórico dos tartaranhões-caçadores.

Antes disso, todos os animais resgatados foram anilhados e avaliados medicamente para assegurar que estavam em bom estado de saúde para enfrentarem o mundo lá fora. Quatro tartaranhões-caçadores foram equipados com dispositivos GPS, que fornecerão dados “essenciais”, explica a Palombar, “para tornar as medidas de conservação mais eficazes”.

Tartaranhão-caçador juvenil, um dos animais resgatados, marcado com aparelho GPS pelo biólogo Carlos Pacheco do centro de investigação BIPOLIS-CIBIO. Foto: Filippo Guidantoni / Palombar.

“Agora, livres, estes 42 tartaranhões-caçadores são uma esperança para a recuperação das populações desta espécie ameaçada, que sofreram uma queda de cerca de 80% em dez anos em Portugal, colocando-a no limiar da extinção”, declara a organização. O facto de a ceifa coincidir com a época de nidificação da espécie é uma das principais ameaças à sua sobrevivência, como também o são a perda de habitat e a predação.

Com o verão de partida, os tartaranhões já deram início à sua migração sazonal para África, onde passarão o inverno. Quando a primavera chegar, voltarão à Península Ibérica para nidificarem e cá permanecerão até setembro.

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