A decisão do Presidente norte-americano para retirar os Estados Unidos da América (EUA) de vários acordos, órgãos e outros instrumentos climáticos internacionais foi “ignorante e imprudente”, diz grupo de reflexão africano.
Mohamed Adow, fundador e diretor do Power Shift Africa, diz que o anúncio feito pela Casa Branca esta quarta-feira da intenção de retirar o país da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) e do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, que são dois dos principais pilares da estrutura governativa climática global, põe em causa não apenas a solidariedade global, mas também a eficácia de políticas climáticas pelo mundo fora.
“O teatro político não altera a física subjacente à acumulação de gases com efeito de estufa, e não há retórica que consiga extinguir incêndios florestais, conter cheias ou travar um furacão”, lança Adow.
O responsável avisa ainda que a retirada dos EUA da estrutura política global sobre alterações climáticas prejudicará o próprio povo norte-americano. Isso, porque o país enfrenta impactos climáticos cada vez mais intensos e devastadores, “de incêndios e tempestades catastróficos a disrupção agrícola e danos em infraestruturas”, refere, em nota.
“Ao abandonar as estruturas climáticas internacionais, a América está a isolar-se das soluções globais e arrisca ser deixada para trás à medida que o resto do mundo acelera em direção a uma economia de energia limpa que definirá a prosperidade no século XXI”, explica.
Adow acredita que a saída dos EUA do palco climático global não fará cair o combate global à crise climática, pois “o movimento climático é maior do que qualquer nação”.
“O resto do mundo, bem como cidades, estados e organizações nos EUA, devem agora avançar com ainda mais determinação”, afirma, assegurando que “as nações africanas e o Sul Global continuarão a lutar com justiça climática” e que fá-lo-ão “com ou sem a liderança americana”.









