Cheias repentinas na Great Ocean Road voltam a alertar para os perigos das inundações rápidas na Austrália

As cheias repentinas que atingiram na semana passada a Great Ocean Road, no estado australiano de Victoria, reacenderam o alerta para os riscos associados a este tipo de fenómeno extremo, considerado um dos mais perigosos em termos de proteção civil.

Redação

As cheias repentinas que atingiram na semana passada a Great Ocean Road, no estado australiano de Victoria, reacenderam o alerta para os riscos associados a este tipo de fenómeno extremo, considerado um dos mais perigosos em termos de proteção civil. O episódio ocorreu poucos dias depois de a região ter enfrentado uma ameaça grave de incêndios florestais, ilustrando a crescente volatilidade climática no país.

De acordo com a Natural Hazards Research Australia, as cheias rápidas caracterizam-se por subidas súbitas do nível da água, correntes muito velozes e grande quantidade de detritos, sendo por vezes descritas como verdadeiros “muros de água” ou “tsunamis interiores”. O principal perigo reside no facto de ocorrerem com pouco ou nenhum aviso, deixando as populações dependentes da observação direta da chuva intensa e da subida dos cursos de água.

Dados de investigações anteriores indicam que, entre 2000 e 2017, pelo menos 130 pessoas morreram em cheias repentinas em vários estados australianos, incluindo Victoria e Nova Gales do Sul. A maioria das mortes ocorreu quando as vítimas tentaram atravessar ribeiros ou estradas inundadas.

O risco é particularmente elevado em zonas densamente povoadas, como o sudeste de Queensland, a área de Sydney, Melbourne, Adelaide e Hobart, mas também em regiões costeiras e montanhosas, como as cordilheiras de Otway, onde se situa a Great Ocean Road. Nestes locais, as bacias hidrográficas são pequenas e íngremes, com planícies aluviais estreitas, o que favorece a rápida concentração da água.

Durante o episódio mais recente, um pluviómetro na zona de Mount Cowley, a oeste de Lorne, registou mais de 175 milímetros de chuva em apenas seis horas. A região tinha sido recentemente afetada por incêndios florestais, um fator que pode agravar o risco de cheias, uma vez que o solo queimado absorve menos água.

O histórico da área inclui uma grande cheia em 1985, quando cerca de 40 caravanas foram arrastadas para o mar em Wye River, após o rio ter subido mais de um metro em apenas meia hora. Desta vez, os impactos poderiam ter sido muito mais graves, sobretudo se o fenómeno tivesse ocorrido durante a noite.

Os especialistas alertam ainda para a vulnerabilidade particular de parques de campismo e parques de caravanas, comuns ao longo dos rios australianos. Estes locais acolhem frequentemente turistas pouco familiarizados com os riscos locais, e estruturas como tendas e caravanas podem ser facilmente levadas pela corrente.

A investigação sublinha que as cheias repentinas são difíceis de prever e que as mensagens de aviso nem sempre são bem compreendidas pela população, levando muitas pessoas a ignorar instruções oficiais e a confiar no conhecimento local. Apesar dos progressos feitos na gestão do risco de inundações, os investigadores defendem melhorias nos sistemas de alerta, um planeamento do uso do solo mais rigoroso e a avaliação de estradas de alto risco, já que a maioria das vítimas mortais são automobilistas.

Em áreas consideradas de risco extremo, é ainda sugerida a relocalização assistida de habitações e infraestruturas vulneráveis, como forma de reduzir a ameaça à vida humana. As cheias na Great Ocean Road surgem, assim, como mais um lembrete da perigosidade crescente destes fenómenos num contexto de alterações climáticas.

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