O asteroide que há cerca de 66 milhões de anos exterminou os dinossauros provocou apenas uma ligeira diminuição das espécies de tubarões e de raias.
Através de modelos avançados de Inteligências Artificial, com base num conjunto de dado de abrangência global sobre fósseis desses dois grupos de animais marinhos, uma equipa de cientistas liderada pela Universidade de Swansea, no Reino Unido, fez recuar os ponteiros do relógio e reconstituiu a diversidade de tubarões e de raias ao longo de 145 milhões de anos.
Os investigadores, cujas descobertas foram publicadas em janeiro na revista ‘Current Biology’, dizem que esta é a imagem mais detalhada sobre a história evolutiva desses animais conseguida até ao momento e que o que encontraram desafia o que se sabia sobre os impactos no oceano do evento de extinção em massa que apagou da face da Terra os gigantes escamosos.
O trabalho revelou que o impacto do asteroide causou um declínio de cerca de 10% no número de espécies de tubarões e de raias, que dizem contrastar fortemente com a extinção massiva que se abateu sobre os dinossauros e muitos outros predadores marinhos.
Além disso, percebeu-se que a quantidade de espécies há mais de 100 milhões de anos, durante o Período Cretácico, era já semelhante à que se observa atualmente. Esse número atingiu um máximo há aproximadamente 50 milhões de anos, numa altura em que os oceanos suportavam uma diversidade de espécies muito superior há que temos nos dias de hoje.
Catalina Pimiento, primeira autora do estudo, diz, citada em nota, que esta investigação permitiu criar uma “síntese global” da ocorrência de fósseis de tubarões e de raias ao longo de 145 milhões de anos, que resultou da revisão de centenas de estudos, da extração de dados e da resolução de inconsistências.
“Os tubarões e raias de hoje são sobreviventes de uma longa história de mudança, incluindo eventos de extinção que só recentemente se tornarem visíveis no registo fóssil”, acrescenta.
Lembrando que durante os últimos 40 ou 50 milhões de anos, a sua diversidade tem seguido uma tendência descendente, Pimiento diz que esse declínio de longo-prazo é importante atualmente, especialmente no contexto da crise global de perda de biodiversidade.
“Por outras palavras, eles não estão só a enfrentar pressões humanas, como a sobrepesca e as alterações climáticas”, avisa. Os tubarões e as raias “já perderam muito do seu potencial evolutivo ao longo de dezenas de milhões de anos”.
“Compreender o seu passado ajuda-nos a ver o quão importante é proteger as espécies que ainda temos hoje.”









