Europeus têm falta de acesso a espaços verdes de qualidade nas cidades

Em Portugal, das 14 cidades analisadas, Coimbra surge como a que tem a maior percentagem da população abrangida pelo “princípio 3+30+300”, reconhecido como uma regra de ouro no planeamento de espaços verdes urbanos.

Redação

Trazer a Natureza de volta para as cidades é considerado uma forma de não só embelezar os centros urbanos, mas também de torná-los mais sustentáveis, saudáveis e mais resilientes aos efeitos das alterações climáticas.

Em 2021, em tempo de pandemia de COVID-19, quando se tornou mais claro do que nunca antes que os espaços verdes urbanos são essenciais à saúde e bem-estar, tanto físico como mental, Cecil Konijnendijk, o co-diretor do Instituto de Soluções Baseadas na Natureza (NBSI, na sigla original em inglês), lançou um conceito que passou a ser visto por muitos como a regra de ouro no que toca ao planeamento e design de espaços verdes nas cidades.

Especialista em florestas urbanas e investigador científico, Konijnendijk determinou que, para termos cidades mais verdes e saudáveis, todas as pessoas devem poder ver pelo menos três árvores de grande porte das suas casas, locais de trabalho ou de estudo; cada bairro, no mínimo, deve ter uma cobertura arbórea de 30%; e ninguém deve viver a mais de 300 metros de um espaço verde público, de qualidade, com pelo menos meio hectare.

Essa regra veio a ser conhecida como o “princípio 3+30+300” e é atualmente usado amplamente por organizações internacionais e autoridades públicas.

Um grupo de investigadores liderado pelo centro de investigação da Comissão Europeia (JRC) olhou para 862 cidades europeias, incluindo em Portugal, para tentar perceber se cumpriam esse princípio. Num artigo publicado recentemente na revista ‘Nature Communications’, revelam um cenário pouco animador.

De acordo com os resultados, apenas 13,5% da população urbana europeia beneficia do “princípio 3+30+300” na sua totalidade, com cada um dos três eixos concretizados. Por outro lado, 21% vive em áreas que não cumprem nenhum cos critérios, enquanto o restante reside em locais que cumprem um ou dois.

Em termos geográficos, os níveis mais altos de cumprimento do princípio foram registados nas cidades de Helsínquia (Finlândia), Hamburgo (Alemanha) e Cracóvia (Polónia). Por outro lado, os níveis mais baixos foram constatados no sul da Europa, em cidades como Atenas (Grécia), Palermo (Itália) e Córdoba (Espanha).

Em Portugal, das 14 cidades analisadas, Coimbra surge como a que tem a maior percentagem da população (8-15%) abrangida pelo “princípio 3+30+300”. Lisboa tem entre 2% e 4%, Porto entre 4% e 8% e Faro menos de 2%.

Os investigadores dizem que este trabalho mostra uma “divisão verde” entre as cidades mais ricas do centro e norte europeus e as congéneres de mais baixos rendimentos do sul e leste.

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