A abelha-melífera ocidental (Apis mellifera) foi introduzida intencionalmente em diversas regiões do mundo para produção de mel e reforço da polinização agrícola — e a Nova Zelândia não foi exceção. As primeiras colmeias chegaram ao país no final da década de 1830, com introduções contínuas até aos anos 1980. Embora estudos internacionais já tenham demonstrado que esta espécie exótica pode interferir na visitação e polinização das flores por insetos nativos, os impactos em ecossistemas naturais neozelandeses permaneciam pouco conhecidos, apesar da importância económica crescente do mel proveniente de manuka e kanuka (plantas nativas da Nova Zelândia).
Agora, uma equipa de cientistas do Bioeconomy Science Institute investigou detalhadamente o que acontece às restantes espécies de insetos quando colmeias comerciais são instaladas num ecossistema natural de matagais de manuka. Para isso, selecionaram três pares de locais na região central da Ilha Norte — seis no total — sempre com um local com colmeias e outro sem. As flores de manuka foram recolhidas e analisadas para identificar o ADN de insetos presentes, e milhares de insetos foram capturados em voo para identificação morfológica e genética.
O volume de dados foi colossal: 36.881 invertebrados recolhidos, distribuídos por 14 ordens e 137 espécies entre os grupos mais comuns, além de mais de 9.000 sequências de ADN distintas detetadas nas flores. A análise do ADN floral foi a que evidenciou de forma mais clara o impacto das abelhas-melíferas: nos locais com colmeias, a diversidade de insetos presentes nas flores era inferior. Borboletas e traças (Lepidoptera) eram menos abundantes, e as visitas de outros insetos às flores de manuka também diminuíam.
Curiosamente, alguns insetos pareciam beneficiar. A riqueza de tripes (Thysanoptera) era 64% superior nos locais com colmeias, sugerindo que as abelhas podem estar a transportar estes minúsculos insetos entre flores.
No geral, os investigadores concluem que as abelhas-melíferas perturbam de forma consistente a visitação e polinização das flores de manuka por outros invertebrados, embora os efeitos sobre espécies não diretamente envolvidas na polinização sejam mais variados. A equipa sublinha que estes resultados são essenciais para orientar decisões de instalação de colmeias em áreas de conservação e produção, garantindo uma gestão mais sustentável dos ecossistemas naturais.









