Abutre-preto: campanha lançada após grande incêndio no Douro Internacional atinge meta e medidas são implementadas no terreno

Campanha gerou uma onda de solidariedade e donativos ajudam a recuperar colónia mais isolada e frágil desta espécie ameaçada de extinção.

Redação

A onda de solidariedade gerada pela campanha de angariação de fundos “Ajudar o abutre-preto após incêndio no Douro Internacional”, lançada em agosto de 2025, permitiu atingir a meta estabelecida de 30 mil euros, valor necessário para implementar todas as ações de recuperação e conservação desta espécie ameaçada de extinção no pós-incêndio, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, o valor foi doado por pessoas a título individual e coletivo, mas também por empresas e entidades que contribuíram com montantes significativos que permitiram reunir o valor necessário, nomeadamente a União Internacional para a Conservação da Natureza dos Países Baixos (IUCN NL, na sigla em inglês), com o apoio da Conservation Connect, através do Green Lifeline Action Fund, um mecanismo de financiamento de emergência da IUCN NL que oferece apoio rápido a organizações e comunidades que enfrentam ameaças urgentes à conservação da natureza; a REN – Redes Energéticas Nacionais; a Lightsource bp e a Proactivetour.

A verba foi concedida quer por via da campanha lançada pela organização não governamental de ambiente (ONGA) Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural na plataforma de crowdfunding Gofundme, quer através de doações feitas diretamente à ONGA.

Com a meta de angariação de fundos atingida, a campanha, promovida pela Palombar no âmbito do projeto LIFE Aegypius Return, está encerrada. Agora, é dada continuidade aos trabalhos de mitigação dos danos e perdas e recuperação do habitat e da colónia de abutre-preto naquela área protegida.

A Palombar e os demais parceiros do projeto LIFE Aegypius Return estão profundamente gratos pelo apoio e donativos concedidos por todos em geral e cada um em particular, os quais têm sido absolutamente essenciais para implementar, no terreno, as medidas definidas no plano de emergência elaborado no pós-incêndio para fazer face ao grande impacto do mesmo na colónia mais frágil e isolada de abutre-preto do país, localizada no Parque Natural do Douro Internacional (PNDI).

O que já foi feito e estamos a fazer com os donativos de todos?

Graças ao apoio coletivo recebido, os seis abutres-pretos que se encontravam na estação de aclimatação no PNDI, aquando da ocorrência do grande incêndio que lavrou a região, conseguiram completar com sucesso o período de adaptação faseada ao meio, tendo sido devolvidos à natureza no final de outubro de 2025.

Área ardida já foi limpa e contentor recuperado

 A Palombar também já realizou a limpeza da área ardida e a remoção de infraestruturas de apoio destruídas pelo fogo, tendo sido reaproveitada a “armadura” do contentor que ficou praticamente destruído para construir um novo. Esta infraestrutura é fundamental para apoiar o funcionamento da estação de aclimatação, sendo aqui que se encontra instalado, por exemplo, o sistema de videovigilância contínua dos abutres, bem como outros equipamentos e materiais.

Adquiridos equipamentos fundamentais

 A verba arrecadada permitiu igualmente comprar os equipamentos necessários para substituir e garantir a autonomia e funcionamento do sistema de videovigilância que foi destruído pelo incêndio, nomeadamente painéis solares e baterias de longa duração.

Abutres-pretos com alimentação reforçada

 Na área da colónia de abutre-preto afetada pelo grande incêndio, a equipa da Palombar reforçou a disponibilidade de alimento para os abutres, uma medida essencial para reduzir situações de stress alimentar decorrentes deste evento adverso e garantir nutrição adequada e boa condição física antes de período reprodutor.

Realizada monitorização apertada no terreno

 Logo na sequência do incêndio e até à atualidade, os técnicos da Palombar têm monitorizado, in loco, de forma frequente e continuada, a colónia de abutre-preto afetada pelo incêndio, com o objetivo de avaliar o seu estado e dinâmicas após este evento devastador e obter informação essencial para a implementação eficaz das medidas definidas no plano de emergência.

Construídos três ninhos artificiais e reconstruídas quatro plataformas-ninhos afetadas

 Em outubro de 2025, através de uma colaboração com o Grupo de Intervención en Altura (GIAM) de los Agentes Forestales de la Comunidad de Madrid, de Espanha, foram construídos e instalados três ninhos de abutre-preto na área da colónia do PNDI, bem como reconstruídas outras quatro plataformas-ninho que tinha sido parcialmente afetadas pelo grande incêndio. Estas estruturas são fundamentais para potenciar a nidificação do abutre-preto no território e fomentar o aumento da colónia, sobretudo após o sucedido.

Instalados bebedouros e comedouros para a fauna selvagem

Outra medida importante implementada no terreno foi a instalação de cinco bebedouros e cinco comedouros para reforçar o alimento disponível para a fauna selvagem na zona afetada pelo incêndio. O aumento do número de animais silvestres na área da colónia potencia a existência, a médio e longo prazo, de carcaças no campo que servem de alimento para os abutres, garantindo desta forma, a sua autossuficiência alimentar.

Realizadas sementeiras para beneficiar pecuária extensiva e fomentar espécies presa

Realizaram‑se igualmente sementeiras na zona atingida pelo incêndio, com o objetivo de beneficiar a pecuária extensiva, essencial para a conservação do abutre‑preto e de outras espécies de abutres. Paralelamente, estas sementeiras contribuem para o aumento da disponibilidade alimentar para a fauna silvestre, em especial para o fomento de espécies‑presa como o corço, javali, coelho‑bravo, lebre e perdiz, entre outras. Ao acelerar a recuperação da vegetação herbácea e arbustiva após o incêndio, as sementeiras reforçam, assim, a base trófica do ecossistema, apoiando tanto a atividade agro‑pastoril sustentável, como a dinâmica ecológica das populações de ungulados e pequenos vertebrados essenciais ao equilíbrio funcional do território.

Colaboração multissetorial

Com o objetivo de minimizar a perturbação decorrente das atividades humanas na zona circundante da colónia de abutre-preto no PNDI, a Palombar está a articular-se com várias entidades locais para atuar de forma multissetorial e participativa no terreno e otimizar as medidas de gestão de habitat e conservação do abutre-preto na região.

O projeto LIFE Aegypius Return reitera e reforça o agradecimento a todos os que contribuíram para a campanha e para garantir um futuro promissor para o abutre-preto. Com o apoio e envolvimento de todos, acreditamos que este gigante dos céus continuará a voar sobre nós.

 

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