Afeganistão lamenta não ter sido convidado para a COP30
As autoridades talibãs, que governam o Afeganistão, lamentaram hoje não ter sido convidadas para a 30ª conferência da ONU cobre o clima, a COP30, e salientaram que aquele país é um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas.
Em comunicado, a Agência Nacional de Proteção Ambiental (NEPA) expressou “profunda preocupação” pelo Afeganistão não ter recebido um “convite oficial” para a 30ª conferência da ONU sobre o clima, que começa na segunda-feira e vai até 21 de novembro em Belém, no Brasil, e vai reunir representantes de dezenas de países.
Citada pela Agência France-Press (AFP), a NEPA considera que “a violação do direito do povo afegão de participar nesta conferência contradiz os princípios da justiça climática, da cooperação internacional e da solidariedade humana” e lembra que o Afeganistão é “um dos países mais vulneráveis às alterações climáticas”
Em 2024, o Afeganistão participou no COP29, em Baku, mas como “convidada” do Azerbaijão, país anfitrião, e não como parte diretamente envolvida nas negociações.
Os talibãs, de volta ao poder no Afeganistão desde 2021, consideram que o seu isolamento na cena diplomática não deve impedi-los de participar nas negociações internacionais sobre o clima.
O Afeganistão é responsável por apenas 0,06% das emissões de gases de efeito estufa, sendo o sexto país mais vulnerável às alterações climáticas, segundo cientistas, aponta a AFP.
Naquele país, devastado por quatro décadas de guerra e que é um dos mais pobres do mundo, cerca de 89% dos mais de 48 milhões de habitantes dependem da agricultura para sobreviver, segundo a ONU.
“Entre 2020 e 2025, o Afeganistão sofreu repetidas secas, afetando seriamente a capacidade de adaptação e reduzindo drasticamente os níveis dos lençóis freáticos, por vezes até 30 metros”, alertou a ONU, em abril.
Em prelúdio à COP30, a ONU confirmou que o ano de 2025 seria o segundo ou terceiro ano mais quente já registado.