Alguns corais duros podem ter hipótese de sobreviver às alterações climáticas

Alguns corais duros antigos conseguiram resistir a mudanças ambientais extremas, segundo uma equipa internacional de investigadores. O estudo sugere que certas espécies modernas poderão também possuir mecanismos de resiliência às alterações climáticas.

Redação

Alguns corais duros antigos conseguiram resistir a mudanças ambientais extremas, segundo uma equipa internacional de investigadores. O estudo sugere que certas espécies modernas poderão também possuir mecanismos de resiliência às alterações climáticas.

A investigação, publicada na revista Nature, analisou o código genético de 274 espécies de corais duros, com o objetivo de reconstruir a sua árvore evolutiva. Os cientistas concluíram que o ancestral comum mais recente destes organismos viveu há cerca de 460 milhões de anos, em águas rasas e profundas, e que a simbiose com algas fotossintéticas surgiu aproximadamente 300 milhões de anos atrás.

Embora essa relação simbiótica — em que o coral recebe energia das algas — tenha permitido uma grande diversificação das espécies, o registo fóssil revela que muitos corais simbióticos foram extintos durante períodos de anoxia oceânica (quando há escassez de oxigénio no mar), há cerca de 180 milhões de anos. A diversificação só voltou a ocorrer após dois novos eventos anóxicos, entre 120 e 90 milhões de anos atrás, evidenciando a sua vulnerabilidade a mudanças ambientais drásticas.

Por outro lado, algumas espécies não simbióticas — que não dependem das algas para sobreviver — conseguiram persistir nas águas profundas durante esses períodos críticos, chegando mesmo a diversificar-se ainda mais. Os autores acreditam que essa resistência pode dever-se à capacidade de se deslocarem a diferentes profundidades e à flexibilidade na forma como obtêm energia, sem dependerem da luz solar.

“O facto de algumas espécies de corais não simbióticos terem sobrevivido e até prosperado durante períodos de grande adversidade indica que podem ser as mais resistentes às alterações climáticas atuais e futuras”, concluem os investigadores.

Os corais duros são fundamentais para a estrutura dos ecossistemas marinhos, servindo de base para recifes que abrigam milhares de espécies. Contudo, enfrentam hoje ameaças crescentes, como o aquecimento global, a acidificação dos oceanos e a destruição de habitats costeiros.

Compreender a forma como os corais antigos resistiram a mudanças ambientais severas poderá ser crucial para proteger os recifes modernos e preservar um dos ecossistemas mais ricos e frágeis do planeta.

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