Ar condicionado volta a “asfixiar” metas climáticas de Xi Jinping. China em racionamento elétrico

Pela segunda vez em seis meses, várias províncias chinesas estão a racionar eletricidade, enquanto as grandes distribuidoras do país lutam para responder ao aumento da procura, em grande parte impulsionada pelo consumo de ar condicionado, ventoinhas e outros aparelhos que ajudam os chineses a combaterem a onda de calor que assola a China este verão. Pequim começa a pensar se vale mesmo a pena reduzir o consumo de energia, alimentada a carvão.

Desde maio, os Executivos das cidades de Guangdong, um centro industrial do sul da Cinha com 130 milhões de habitantes, têm limitado o consumo de energia das fábricas, obrigando muitas empresas a trabalharem apenas alguns dias por semana.

Em Guangdong o verão chegou mais cedo do que o previsto. Durante o mês de maio, a temperatura esteve 4ºC acima do esperado, levando a picos de consumo de eletricidade, como revelam os dados da China Southern Power Grid, a concessionária estatal que abastece a província.

Como se não bastasse, a época das chuvas no sul da China começou 20 dias depois do que era esperado, de acordo com a agência pública de notícias Xinhua, afetando a produção de energia hidrelétrica da região.

A província de Yunnan, que depende deste tipo de energia para fornecer cerca de 18% de toda a eletricidade em Guangdong, registou 41% a menos de precipitação este ano do que era previsto, levando os reservatório das centrais hidroelétricas a baterem em mínimos históricos.

Em Shandong, zona região costeira no norte da China, com mais de 100 milhões de habitantes, o governo regional já alertou que terá menos de 6 gigawatts de energia nos horários de pico durante o verão. Já Zhejiang, outra província industrial no leste do país, prevê um défice de 2 gigawatts.

“As consequências que advém das mudanças climáticas estão a sentir-se cada vez mais. A rede elétrica da China precisa de ser mais resiliente aos picos da procura, mas de forma sustentável sem recorrer ao carvão, explicou, em entrevista à Bloomberg, Junyan Liu, um ativista do Greenpeace para a território asiático.

A NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), apresentada por Xi Jinping, prevê que a China comece a cortar no consumo de carvão a partir de 2026, de forma a eliminar as emissões líquidas de carbono, até 2060.

“Embora as autoridades locais tenham sido rápidas a ecoar a determinação de Xi, por outro lado também continuam a argumentar que os combustíveis fósseis são necessários para garantir a segurança energética da China”, acrescenta Liu.

“ A escassez de energia pode dar ao Governo e aos grandes empresários da China um grande argumento para fazer lobby e trabalhar ativamente pela continuação do investumento em combustíveis fosseis no país”, comentou Qin Yan, analista-chefe da Refinitiv, em declarações à Reuters.

“Vejamos o caso da província de Hunan: Depois de uma onda de escassez no fornecimento de energia, durante o último inverno, a província anunciou um novo e inesperado plano para construir novas centrais elétricas a carvão com 12 gigawatts de potência até 2025 – mais de metade da capacidade elétrica existente na região atualmente, tudo em nome de uma alegada segurança energética”, esclarece Qin Yan.

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