Associação ambientalista Zero avisa que solução para aterros cheios não passa por incineração

A associação ambientalista Zero defendeu hoje que o tratamento mecânico e biológico pode resolver o problema dos aterros quase cheios e considerou que a incineração proposta pelo Governo “é um erro estratégico para Portugal”.

Green Savers com Lusa

A associação ambientalista Zero defendeu hoje que o tratamento mecânico e biológico pode resolver o problema dos aterros quase cheios e considerou que a incineração proposta pelo Governo “é um erro estratégico para Portugal”.

Há soluções “mais rápidas, baratas e eficazes para desviar resíduos dos aterros”, defende a associação em comunicado, considerando que “reforçar a reciclagem, valorizar os biorresíduos e melhorar a recolha seletiva são as opções que geram emprego, reduzem emissões e fortalecem a economia nacional”.

Segundo a Zero, Portugal não precisa de mais incineradoras, precisa sim de “cumprir a lei, respeitar as metas e investir em soluções que transformam resíduos em recursos”.

A propósito do plano TERRA para os resíduos, que o Governo apresentou em março passado, a Zero criticou a aposta em novas linhas de incineração de resíduos urbanos, por, disse, se prever um investimento de cerca de 1,5 mil milhões de euros em unidades de incineração, para resolver o problema dos aterros.

Para a associação ambientalista, essa solução é demorada, não resolve o problema da urgência da deposição de resíduos em aterro e é “desnecessária, cara e poluente”.

O facto de grande parte dos aterros no país estarem a atingir o nível máximo, com os municípios a resistirem à construção de novas unidades, tem motivado alertas de várias entidades, incluindo do Governo.

“O plano TERRA coloca uma ênfase desproporcionada na meta de deposição em aterro (máximo de 10% em 2035), ignorando que essa meta seria automaticamente cumprida se Portugal alcançasse as metas de Preparação para Reutilização e Reciclagem (PRR) de 55% em 2025, 60% em 2030 e 65% em 2035”, disse a associação.

A aposta, acrescentou, devia ser no Tratamento Mecânico e Biológico (TMB, uma instalação industrial que separa resíduos sólidos urbanos e maximiza a recuperação de materiais recicláveis, valorizando também a matéria orgânica), que tem taxas de desvio de aterro na ordem dos 70%.

Ao contrário, ampliar a capacidade de incineração “colocaria em risco direto o cumprimento das metas de reciclagem”, disse a Zero, que, baseando-se no plano TERRA, afirmou que 54% dos resíduos poderão ir para soluções de fim de vida (incineração e aterro), sobrando apenas 46% dos resíduos urbanos para enviar para reciclagem, “o que tornaria virtualmente impossível cumprir a meta de 65% de reciclagem em 2035”.

O Governo deve, sugeriu a associação, concentrar esforços em medidas imediatas e eficazes, capazes de reduzir em mais de um milhão de toneladas os resíduos enviados para aterro num prazo de três anos, e não deve apostar em soluções que levarão muitos anos até estarem a funcionar.

Além de que, alertou, a incineração é também a forma de produção de eletricidade mais poluente do país, com mais do dobro das emissões de gases com efeito de estufa por unidade de energia produzida, do que a eletricidade produzida a partir de um combustível fóssil como o gás natural. E o investimento em incineração além de muito caro não tem financiamento comunitário.

No documento hoje divulgado, que a Zero já partilhou com o Governo, considera-se fundamental requalificar as instalações de TMB existentes, instalar TMB em sistemas que ainda não os possuam, apostar em modelos de recolha de alta eficiência, focados no porta-a-porta ou em contentores de acesso condicionado, e implementar plenamente o Sistema de Depósito com Retorno (SDR) para embalagens de bebidas.

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