A associação de gestão de resíduos Electrão lança esta segunda-feira uma campanha nacional que pretende chamar a atenção do público para a importância da separação de embalagens e expor as falhas do país na gestão desses resíduos.
Com o título “Atrasados ambientais”, a iniciativa, que quer unir humor a um sentido de urgência, “cria um rótulo no qual ninguém se quer rever”, explica a entidade em comunicado, acrescentando que o mote para a campanha é o facto de Portugal estar “um passo atrás em matéria de reciclagem”.
“A opção foi usar humor e um certo desconforto saudável para pôr o tema na mesa, antes de mais um ano de metas por cumprir”, refere Pedro Nazareth, CEO do Electrão. “Se o facto de Portugal não estar no grupo da frente na reciclagem ferir um pouco o nosso orgulho, tanto melhor. É esse incómodo que queremos transformar num impulso para mudar comportamentos”, salienta.
Em 2024, foram encaminhadas para reciclagem 477 mil toneladas de embalagens, o que correspondeu a uma taxa de retoma de 58,6%, avança a associação. Esse valor reflete um cumprimento da meta de 55% que havia sido fixada para esse ano, mas está “ainda muito aquém da percentagem que passa a ser obrigatória”.
Até ao final de novembro, as quantidades de embalagens enviadas para reciclagem totalizaram aproximadamente 493 mil toneladas, um ritmo que, a manter-se, resultará numa taxa prevista para o final do ano de 61%, abaixo da meta de 65% imposta pela União Europeia. Isso, “apesar do reforço do investimento na recolha e triagem”, diz o Electrão.
Até ao final da década, a meta de reciclagem de embalagens sobe para um mínimo de 70%, “o que implicará para Portugal um esforço acrescido e continuado ao longo dos próximos anos para recuperar o atraso”, indica a associação. O país está atualmente em 21º lugar no ranking da taxa de reciclagem de embalagens, abaixo da média da União Europeia.
A campanha estará em filmes de televisão e também no digital, explorando momentos do quotidiano “em que tudo parece decorrer com normalidade, até que o termo ‘atrasado ambiental’ vem abanar o cenário e pôr o foco, com humor, no comportamento incorreto de não separar as embalagens, sublinhando que é a soma destes gestos que faz de Portugal, hoje, um país de atrasados ambientais”.
Na rádio, o mote entra em momentos marcantes, como um casamento ou uma homenagem, para sublinhar, com ironia, o absurdo de continuarmos a deitar embalagens no lixo indiferenciado enquanto o país falha metas e esgota aterros.
Para o Electrão, “o objetivo é fazer com que deixemos de estar no grupo dos atrasados ambientais nos rankings europeus e aproximar Portugal dos países que cumprem e lideram na reciclagem e na transição para uma economia mais circular”.









