Austrália junta-se a missão espacial analógica global com projeto pioneiro em Adelaide

Simulação de duas semanas recria condições lunares para testar tecnologias, saúde psicológica e dinâmica de equipas em contexto espacial.

Redação

A Universidade de Adelaide, na Austrália, acolhe, entre os dias 9 e 22 de Outubro de 2025, uma missão espacial analógica inserida numa iniciativa global de investigação científica. O projeto, designado ADAMA (Astronautical Demonstration of an Analogue Mission in Australia), é promovido em parceria com a startup internacional ICEE.Space, e posiciona a Austrália como participante ativa na maior missão analógica espacial coordenada à escala mundial.

Durante duas semanas, uma equipa de quatro astronautas analógicos irá operar em ambiente simulado nas instalações Exterres CRATER – uma infraestrutura de investigação localizada no campus de Roseworthy da universidade, concebida para replicar as condições da superfície lunar, incluindo padrões específicos de iluminação.

“A Universidade de Adelaide está empenhada em contribuir para o avanço da ciência espacial e esta missão representa um passo significativo nesse caminho,” afirma John Culton, professor associado e diretor do Andy Thomas Centre for Space Resources (ATCSR), entidade ligada à universidade, citada em comunicado.

A missão envolve a realização de testes em sistemas de suporte de vida sustentáveis, fatos espaciais de próxima geração, habitats simulados, e simulações operacionais de missões lunares. O objetivo é recolher dados que permitam compreender melhor os desafios físicos, técnicos e psicológicos associados à vida no espaço.

A tripulação da missão ADAMA é composta por:

  • Kato Claeys, comandante da missão e estudante de doutoramento na Universidade de Adelaide;

  • Adrian Eilingsfeld, engenheiro de base e responsável médico;

  • Louis Burtz, vice-comandante e operador de comunicações;

  • Ilija Hristovski, responsável pela componente científica.

A componente médica do projeto é assegurada pelo South Australian Health and Medical Research Institute (SAHMRI) e pela National Imaging Facility, que realizarão exames de ressonância magnética funcional (fMRI) para avaliar alterações na conectividade cerebral dos participantes, induzidas pelo isolamento e pelas exigências operacionais da missão.

“As missões analógicas na Terra são fundamentais para testar protocolos e tecnologias que serão, mais tarde, utilizados em missões reais,” explica Charlotte Pouwels, cofundadora da ICEE.Space. “Permitem igualmente estudar a dinâmica de equipas, os riscos médicos e os impactos cognitivos associados a ambientes extremos”, acrescenta.

O projeto ADAMA integra a iniciativa internacional World’s Biggest Analog (WBA) – considerada a maior missão analógica já realizada até à data. Decorre, em simultâneo, em diversos países, incluindo os Estados Unidos, Áustria, Polónia e Brasil, com o objetivo de simular operações a partir de múltiplos postos avançados, refletindo a complexidade de futuras missões interplanetárias.

A missão em Adelaide conta também com a participação de Anna Ma-Wyatt, professora de psicologia experimental e especialista em neurociência comportamental e interacção humano-tecnologia, que lidera o grupo de investigação em colaboração homem-autonomia no ATCSR.

“A compreensão do impacto da privação sensorial, do confinamento e da comunicação limitada é essencial para mitigar riscos em missões de longa duração,” sublinha a investigadora. “Este tipo de investigação permite-nos preparar estratégias de apoio psicológico e tecnológico que favoreçam a saúde e a eficiência das equipas no espaço”, conclui.

Os dados obtidos ao longo da missão ADAMA serão posteriormente analisados e partilhados com parceiros internacionais, contribuindo para o desenvolvimento de futuras missões de exploração em ambiente lunar e marciano.

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