O socialista Ricardo Cardoso, que domingo foi eleito presidente da Câmara de Castelo de Paiva, disse ontem que a sua primeira medida será intervir na rede pública de água para travar perdas que chegam a ser de 70%.
Em declarações à Lusa, o novo autarca do referido concelho do distrito de Aveiro e Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa diz que essa foi uma preocupação transversal a todos os candidatos autárquicos, porque o problema afeta a generalidade do território com cerca de 15.600 habitantes e 114,7 quilómetros quadrados – distribuídos agora, após a desagregação administrativa, por nove freguesias, oito das quais ganhas também pelo PS.
“A minha grande prioridade vai ser a resolução das perdas de água, que é um desperdício que todas as freguesias têm sinalizado, com os locais problemáticos já identificados”, afirma Ricardo Cardoso. “Isso passará por aumentar o número de equipas de intervenção rápida, porque as duas que temos atualmente não são suficientes para lidar com tantas fugas, e também implicará alguma formação especializada para os técnicos de serviço, de forma a melhorar a sua resposta”, explica.
Em segundo lugar, o autarca que destronou o social-democrata José Rocha logo após quatro anos de mandato quer avançar com a criação do parque urbano da Quinta da Boavista, que diz estar “muito empatada” devido a questões que não se coadunam com o estatuto da propriedade enquanto detentora de uma construção funerária classificada como Monumento Nacional e integrada na Rota do Românico.
A delicadeza do processo tem sido agravada por questões judiciais, já que a propriedade de 10 hectares foi doada à autarquia pelo último Conde de Castelo de Paiva, sob a condição de aí se criar um museu e mediante a salvaguarda de que os seus funcionários aí pudessem viver enquanto quisessem, mas o tribunal deu em 2024 como provada a quebra de confiança da filha de um desses antigos trabalhadores, acusando-a de se ter apropriado de bens da casa e os ter vendido para ganho próprio.
É por isso que Ricardo Cardoso quer “avançar com a expropriação de dois usufrutuários por razões de interesse público”, de modo a que “as obras do parque possam começar no fim de 2026 ou início de 2027”.
Com 35 anos de idade, licenciado em Gestão pela Universidade Lusíada do Porto e carreira a gerir fundos comunitários, o novo presidente da Câmara de Castelo de Paiva acredita que terá o apoio da população nessas medidas, considerando que, após oito anos na liderança da Junta de Freguesia de Santa Maria de Sardoura, a vitória nas eleições de domingo reflete o que descreve como “uma opção pela juventude e pela dinâmica”.
“Acho que ganhei por uma questão de carisma: por as pessoas reconhecerem que dei um novo impulso a Sardoura em termos de desporto e cultura, verem que renovei os quadros do PS e acreditarem que posso fazer mais pelo nosso concelho”, declara aquele que, desde 2024, é também o presidente da concelhia socialista.
Nas autárquicas de domingo, o PS de Castelo de Paiva ganhou a Câmara Municipal com maioria absoluta, elegendo quatro elementos para o executivo graças a 5.817 votos, o que correspondeu a 51.31% dos boletins para esse órgão depositados nas urnas. O PSD ficou-se por três vereadores, com 5.041 e 44.47% dos votos.
O anterior executivo, liderado em minoria pelos sociais-democratas, tinha sete elementos: José Rocha na presidência, com dois outros vereadores do PSD, aos quais se juntavam dois eleitos do PS, um do movimento independente Mudar Para Melhor e outro pelo congénere Um Concelho Por Todos.









