Captura, transporte e armazenamento de carbono em estudo pelo Governo



 O Governo está a estudar a adaptação da legislação nacional à captura, transporte e armazenamento de carbono (CO2), e a “olhar para várias soluções” tendo em conta os impactos ambientais, segundo a ministra do Ambiente.

Maria da Graça Carvalho participou hoje na apresentação de um estudo da indústria cimenteira sobre a matéria, afirmando depois aos jornalistas que foi criado um grupo de trabalho no ano passado que está “a olhar para várias soluções”.

O mais importante do ponto de vista do Estado, explicou, é como se irá adaptar a legislação “para absorver esta questão do transporte de CO2”.

A ministra acrescentou que esse trabalho está a ser feito, “de estudar as possibilidades” e de falar com a Comissão Europeia, no sentido de ser adotada legislação, mas também haver financiamento.

O estudo hoje apresentado, da responsabilidade da Associação Portuguesa de Cimento (ATIC), propõe o armazenamento do carbono na Bacia Lusitânica, na costa ocidental portuguesa, uma região com mais de 22 mil quilómetros quadrados e que permitiria, a longo prazo, o armazenamento de até 300 milhões de toneladas de CO2.

Para tal seria necessário construir uma rede de gasodutos que assegurasse a ligação das entidades emissoras de CO2 até ao local, cerca de 680 quilómetros de extensão e mais 25 a 40 quilómetros no mar.

O investimento, segundo o estudo, seria de cerca de 2,2 mil milhões de euros (para transporte e armazenamento), sendo a captura de CO2 a cargo da indústria, 200 a 300 milhões de euros por fábrica.

Nas previsões do estudo em 2030 podia ser criado o primeiro poço de armazenamento e testar injeções de CO2, com o primeiro ciclo deste projeto terminado em 2055/60.

Na apresentação do estudo “PT Carbon Link” o vice-presidente da ATIC, Otmar Hubscher (SECIL), salientou o compromisso da indústria com a neutralidade carbónica até 2050 e pediu o apoio do Governo.

Maria da Graça Carvalho reconheceu que a descarbonização é difícil no setor dos cimentos, onde ainda “há muito a fazer”, e falou do “grande desafio” do país que é o de atingir a neutralidade climática até 2045.

A governante avisou que a tecnologia proposta não é simples e reafirmou a importância de tudo ser feito com o envolvimento das comunidades.

“A aceitação social local dos projetos é algo que nos preocupa, em todos os projetos tem de ser o ponto de partida”, afirmou.

Referindo que os setores industriais são difíceis de descarbonizar a ministra referiu que cerca de 80% das emissões de CO2 são “relativamente fáceis de descarbonizar, desde que haja financiamento e vontade política e das pessoas”, usando a energia renovável na eletrificação, nos transportes simples e nos consumos dos edifícios.

Os outros 20%, como a indústria do vidro, da cerâmica, ou dos cimentos, são “dos mais difíceis”, bem como alguns modos de transporte, como a aviação e o transporte marítimo.

Nas palavras de Maria da Graça Carvalho este processo de transporte e armazenamento de CO2 é complexo e tem de ser “bem pensado”.

“Acho que há um caminho a fazer para que estes programas sejam incluídos no financiamento europeu”, disse, reafirmando que o Governo está a olhar para a legislação mas também para os impactos ambientais. “É prematuro dizer que é aqui ou acolá”, disse, referindo-se ao local de armazenamento de CO2.

Afirmando que o ideal seria usar CO2 para produzir combustíveis, químicos ou materiais, porque se evita o transporte e o armazenamento, a ministra concordou com a importância de haver a curto prazo um projeto-piloto de captura, transporte e armazenamento de CO2.

O estudo foi apresentado em Lisboa na “Conferência PT Carbon Link”, que juntou a indústria e especialistas nacionais e europeus. Na conferência foram apresentadas experiências internacionais sobre a questão da captura de CO2.






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